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StablecoinsCripto · B2B

Sem stablecoin no banco, 6 em 10 empresas iriam a fintech

Capgemini ouviu 1.110 empresas com receita acima de US$ 1 bi em nove países; quase 60% iriam a não bancos se o banco não oferecer stablecoin.

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· 3 min

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Quase 60% das grandes companhias ouvidas pela Capgemini aceitariam contratar serviços baseados em stablecoins de provedores não bancários caso seus bancos fiquem para trás, aponta o World Payments Report 2027. A consultoria entrevistou 1.110 empresas com receita acima de US$ 1 bilhão em nove países. O Brasil não faz parte da amostra.

O que a Capgemini mediu

Indicador Resultado
Empresas que contratariam stablecoin de não bancos se o banco não acompanhar Quase 60%
Bancos que priorizaram inovação em pagamentos B2B nos últimos três anos 60%
Empresas satisfeitas com o banco principal 32%
Empresas que veem o pagamento internacional como lento, caro e imprevisível 74%
Duração média da jornada de pagamento corporativo, do início à conciliação 3,5 dias
Bancos que escalam ao menos um instrumento de dinheiro inteligente 21%
Fatia projetada de stablecoins, depósitos tokenizados e CBDCs no volume global de pagamentos em 2030 Cerca de 4%

Pesquisa com 1.110 grandes empresas e 300 executivos de bancos em nove países, maio e junho de 2026. Fonte: Capgemini, World Payments Report 2027

A amostra corporativa se divide em partes iguais entre seguradoras, indústrias e empresas de logística e transporte, localizadas em Austrália, Emirados Árabes Unidos, França, Alemanha, Hong Kong, Holanda, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. Do lado da oferta, a consultoria ouviu 300 executivos de bancos nesses mesmos mercados.

Stablecoins e o descompasso entre bancos e clientes corporativos

O relatório descreve um desencontro. Nos últimos três anos, 60% dos bancos colocaram a inovação em pagamentos entre empresas no topo da agenda. Mesmo assim, apenas 32% dos clientes corporativos dizem estar satisfeitos com a instituição com que mais trabalham.

Ouvida pela Exame, Daniela Dutra, da Capgemini Brasil, resumiu as reclamações: “As principais queixas são previsibilidade no momento da liquidação, status de pagamento e condições de caixa, e a preocupação com fraude e risco que pode acompanhar esse tipo de operação”.

A complexidade ajuda a explicar a insatisfação. Uma grande empresa típica atua em 14 mercados, trabalha com 11 bancos e faz 34% do volume B2B fora do país de origem. Para 74% delas, esses pagamentos são lentos, caros e imprevisíveis. Segundo o Swift, 90% das transferências internacionais chegam ao banco recebedor em até uma hora; para a empresa, porém, a jornada completa, da aprovação interna à conciliação, soma cerca de 3,5 dias.

Bancos preferem o depósito tokenizado

Só 21% dos bancos já levam à escala ao menos um instrumento de dinheiro programável, seja stablecoin, depósito tokenizado ou moeda digital de banco central (CBDC). Na ordem de prioridade dos executivos bancários, os depósitos tokenizados vêm primeiro, porque permanecem no balanço e cabem na regulação atual. As stablecoins aparecem em segundo lugar, puxadas pela liquidação internacional, e as CBDCs de atacado ficam em terceiro. O argumento lembra o do BIS, que defende depósitos tokenizados no lugar de stablecoins.

Há também dinheiro empoçado no modelo atual. Pelo cálculo da Capgemini, perto de US$ 4 trilhões servem de pré-financiamento em contas nostro e vostro, que bancos mantêm uns nos outros para fechar remessas internacionais, rendendo pouco ou nada. No horizonte de 2030, o relatório estima que os três instrumentos somados cheguem a cerca de 4% de todo o volume pago no mundo. “Se for pensar em pagamentos B2B, essa é a próxima fronteira mais clara”, disse Dutra à Exame.

O que observar

A disposição medida é condicional: as empresas dizem que iriam a provedores não bancários se os bancos não acompanharem. Vale acompanhar se essa intenção vira contrato, e em que ritmo, já que o próprio relatório indica que a maior parte dos bancos ainda monitora as stablecoins, enquanto os depósitos tokenizados avançam para pilotos.

Outra pergunta é geográfica. Como a amostra não inclui o Brasil, os números descrevem grandes empresas dos EUA, da Europa, do Oriente Médio e da Ásia-Pacífico, e não o comportamento de companhias brasileiras.

Fontes: Capgemini (relatório)Capgemini (página do estudo)ExameLet’s Money

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