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Regulação criptoCripto · criptomoedas

Califórnia proíbe autoridades públicas de emitir memecoins

Lei sancionada veta emissão de memecoins por autoridades e servidores e impede plataformas de listar as de agentes públicos emitidas a partir de 2027.

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· 4 min

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A Califórnia proibiu autoridades públicas e servidores com poder de decisão sobre licitações e contratos de emitir memecoins. A regra está na AB 2409, que virou lei em 27 de setembro de 2026, e não veta esses tokens para o público em geral, segundo a PYMNTS: o foco está no encontro entre cargo público e ativo especulativo.

O texto também atinge as plataformas de ativos digitais. Pela versão sancionada da lei, registrada como capítulo 473 das leis estaduais de 2026, elas não podem listar, para venda ou compra por moradores do estado, memecoins emitidas a partir de 1º de janeiro de 2027 que sejam oferecidas por autoridades federais, estaduais ou locais, ou em parceria com elas.

O que a lei da Califórnia sobre memecoins determina

Ponto Regra
Quem não pode emitir Autoridades estaduais e locais, eleitas ou nomeadas; membros de conselhos e comissões públicas; servidores que decidem licitações e contratos
O que as plataformas não podem listar Memecoins emitidas a partir de 1º/1/2027 oferecidas por autoridades federais, estaduais ou locais, ou em parceria com elas, para moradores da Califórnia
Memecoins já existentes Ficam fora da trava de listagem
Quem fiscaliza Procurador-geral do estado (lei inteira); promotores distritais e procuradores municipais e de condado (só a proibição de emitir)
Punição Ação civil com pedido de ordem judicial e de devolução dos ganhos

Texto sancionado da AB 2409 e análise do plenário da Assembleia da Califórnia. Fonte: CalMatters Digital Democracy

O que a lei entende por memecoin e por emitir

Para a lei, memecoin é o ativo digital promovido ou reconhecido principalmente pela associação com memes de internet, figuras públicas, personagens de ficção, fenômenos culturais com animais, acontecimentos atuais, humor compartilhado, celebridades, pessoas ou eventos notórios, ou tendências sociais, e cujo valor depende sobretudo de interesse público, especulação ou engajamento de comunidade. Em setembro, a Robinhood Chain bateu recorde de taxas com o boom de memecoins.

Emitir é disponibilizar o token para compra, doação ou troca por qualquer valor, com ou sem promoção. A proibição alcança autoridades estaduais e locais, eleitas ou nomeadas, inclusive membros do Legislativo e de conselhos e comissões públicas, e servidores que decidem licitações e contratos. Na abertura da lei, o Legislativo estadual declara que “autoridades públicas não devem usar o poder que lhes foi confiado para ganho financeiro privado” (em tradução livre).

Punição civil e um pacote estadual para cripto

Segundo a análise do plenário da Assembleia, o corte em 2027 deixa de fora as memecoins que já circulam. A regra de listagem também cita de forma expressa as autoridades federais, que a definição usada na proibição de emitir não menciona.

A punição é civil: o procurador-geral do estado pode pedir à Justiça uma ordem para barrar a conduta e a devolução dos ganhos. Promotores distritais, procuradores municipais e procuradores de condado têm os mesmos poderes, mas só para fazer valer a proibição de emitir.

A medida integra um conjunto de leis cripto voltado a conflito de interesses, fraude e crime financeiro, relata a PYMNTS. Outra lei do pacote estende a legislação estadual de lavagem de dinheiro às transações com ativos digitais e prevê mandados para apreender ativos, carteiras ou contas ligados a crimes específicos.

Na esfera federal, não há regra equivalente em vigor. A versão de setembro do Clarity Act previa que procuradores-gerais estaduais fiscalizassem restrições a autoridades que patrocinem ativos digitais, mas o Senado dos EUA travou a lei que definiria regras da cripto numa votação de procedimento. A SEC, por sua vez, classificou em 2025 as memecoins como “novelty digital assets”, fora de sua supervisão, segundo a análise legislativa.

O que observar

O efeito mais operacional recai sobre as plataformas de ativos digitais que atendem moradores da Califórnia. A lei veda listar tokens oferecidos por agentes públicos ou em parceria com eles, sem descrever como checar quem está por trás de um lançamento. Vale acompanhar se corretoras vão montar triagem própria de emissores ou esperar as primeiras ações do procurador-geral.

A outra pergunta é se o modelo californiano vai inspirar outros estados enquanto o Congresso não aprova uma lei federal para cripto. Nesse caso, plataformas que operam no país inteiro podem ter de seguir regras estaduais distintas sobre listagem de tokens e conflito de interesses.

Fontes: PYMNTS • CalMatters Digital Democracy • Let’s Money • Let’s Money

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