Empresas de criptoativos já podem pedir licença para atuar no Reino Unido. A Financial Conduct Authority (FCA), reguladora financeira britânica, abriu nesta quarta-feira (30) a janela de pedidos de autorização, e quem pretende continuar no país deve se candidatar até 28 de fevereiro de 2027, segundo o comunicado da FCA.
O calendário do regime cripto britânico
| Data |
Etapa |
| Junho de 2026 |
FCA publica as regras finais e as orientações |
| 30 de setembro de 2026 |
Abre a janela de pedidos de autorização |
| 28 de fevereiro de 2027 |
Prazo de pedido para quem quer continuar operando no país |
| 25 de outubro de 2027 |
Novo regime passa a valer |
Datas do comunicado da FCA. Fonte: FCA
O que a FCA vai cobrar de quem pedir licença
Pela primeira vez, o setor cripto britânico vai ficar sob supervisão integral da FCA. Cada candidata será examinada em quatro frentes: proteção ao consumidor, salvaguarda de ativos de clientes, integridade de mercado e resiliência financeira. O aval não vem por inércia. A empresa precisa provar que atende às exigências, e a que falhar nessa demonstração não recebe autorização para operar no mercado britânico.
“O novo regime cripto do Reino Unido dará aos consumidores mais proteções e às empresas um marco claro para operar. As empresas já podem pedir autorização e começar a se preparar para a regulação”, disse Dominic Cashman, diretor de autorização da FCA, em tradução livre. Para ajudar no preparo, a reguladora oferece reunião de apoio antes da candidatura e deixou webinars gravados à disposição.
A transição para quem já opera
As notas do comunicado trazem a regra de passagem. A FCA espera concluir a análise dos pedidos feitos dentro da janela antes da data de vigência. Se a decisão atrasar, a empresa que já atuava e se candidatou no prazo mantém os serviços, inclusive fechando novos negócios, até sair a resposta. Quem não cumprir os padrões fica sem licença e terá de parar de oferecer serviços cripto regulados no país.
A base legal veio do Parlamento, que aprovou as regras de criptoativos em 4 de fevereiro de 2026. Elas levam a FCA além das normas antilavagem e de publicidade financeira que definiam seu papel no setor, conforme o resumo dos policy statements da reguladora, que inclui regras para emissores de stablecoin.
Em junho de 2026, a FCA fechou as regras de cripto no Reino Unido, a etapa que agora dá lugar aos pedidos.
No Brasil, a licença de prestadoras de serviços de ativos virtuais passa pelo Banco Central, que já revelou a primeira empresa cripto em processo de autorização sob o regime local.
O que observar
A pressão tende a ser maior sobre as empresas cripto que já atendem clientes britânicos e que, até aqui, respondiam à reguladora apenas em lavagem de dinheiro e publicidade. Para elas, candidatar-se dentro da janela é o que garante a regra de transição. A pergunta é quantas vão se candidatar e quantas vão preferir deixar o mercado a arcar com o custo de cumprir as quatro exigências.
Outro ponto é a capacidade de análise da própria reguladora. Vale acompanhar se a reguladora consegue decidir o volume de pedidos antes de outubro de 2027 ou se a cláusula de transição vira a regra na prática, com empresas operando por meses à espera da resposta. A procura pelas reuniões prévias pode dar a primeira pista.
Fontes: FCA • FCA Policy Statements • Finextra