O grupo japonês SBI Holdings concluiu em 1º de outubro a compra da Bitbank, corretora de criptoativos de Tóquio, que passou a ser sua subsidiária integral. O acordo tinha sido anunciado em 25 de junho. A etapa final, descrita no comunicado de conclusão da SBI, coube à própria Bitbank, que recomprou todas as ações da MIXI e da CERES. O custo total da aquisição, fixado no anúncio de junho, é de 46,7 bilhões de ienes.
Como a SBI chegou a 100% da Bitbank
Etapa
O que aconteceu
25/06/2026
Acordo-base e contrato de transferência de ações assinados
Compra de ações
53.704 ações de Noriyuki Hirosue e de outros acionistas individuais
Aumento de capital
48.952 novas ações subscritas pela SBICAH; fatia prevista de 68,76% dos votos
01/10/2026
Bitbank recompra as ações da MIXI e da CERES e vira subsidiária integral
Custo total
46,7 bilhões de ienes
Etapas descritas nos comunicados da SBI Holdings de junho e outubro de 2026. Fonte: SBI Holdings
Três movimentos até a subsidiária integral
Em junho de 2026, o Let’s Money noticiou o acordo de compra da corretora cripto Bitbank pela SBI. Naquele momento, a execução dependia do aval da Comissão de Comércio Justo do Japão, o órgão antitruste do país, além de outras condições previstas em contrato.
O veículo escolhido foi a SBICAH, empresa 100% controlada pela SBI. Ela comprou em dinheiro 53.704 ações que estavam com o CEO Noriyuki Hirosue e com outros acionistas pessoas físicas. Depois, subscreveu 48.952 ações novas emitidas pela Bitbank, chegando a 68,76% dos votos. Pelo desenho de junho, o caixa desse aumento de capital serviria para a Bitbank recomprar a participação dos dois sócios corporativos, etapa fechada agora.
Antes da operação, o capital da Bitbank estava dividido entre Hirosue (30,86%), a MIXI (26,22%), a CERES (22,39%) e outros acionistas (20,53%). Hirosue segue listado como CEO da corretora no comunicado de outubro.
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O que entra no grupo
Fundada em 2014, a Bitbank opera a plataforma de negociação que leva o mesmo nome. A SBI destaca que a corretora não registrou nenhum incidente de hacking desde a criação. Em comunicado de 4 de setembro, a Bitbank informou ter ficado em primeiro entre as japonesas e em 23º no mundo no ranking de corretoras da KaikoData do terceiro trimestre de 2026.
Os números de 2025 vieram abaixo dos de 2024. Em balanço não consolidado, a receita líquida caiu de 7,9 bilhões de ienes em 2024 para 5,8 bilhões em 2025, e o lucro líquido de 2,1 bilhões virou prejuízo de 696 milhões de ienes. A SBI projeta impacto pequeno da compra no seu resultado consolidado do ano fiscal que termina em março de 2027.
A conta de escala também é da própria SBI. Somando a SBI VC Trade, principal frente cripto do grupo, e a Bitbank pelos dados de 30 de abril de 2026, o conjunto teria cerca de 1,1 trilhão de ienes em ativos sob custódia e 2,92 milhões de contas de criptoativos. Com isso, o grupo espera ficar em primeiro lugar em custódia entre as corretoras japonesas, numa comparação que, segundo a empresa, inclui estimativas.
A intenção declarada é “aprimorar ainda mais os serviços de negociação de criptoativos e expandir novos serviços financeiros que utilizam stablecoins”, afirmou a SBI no comunicado de 25 de junho de 2026 (em tradução livre). Em setembro, o grupo apareceu entre os investidores da rodada da dtcpay, de Singapura, voltada a stablecoins.
O que observar
A primeira pergunta é se duas corretoras sob o mesmo controle vão continuar operando como marcas separadas ou se haverá fusão de plataformas. Nenhum dos comunicados detalha esse passo, e a resposta define o que acontece com a base de clientes de cada lado.
A segunda é financeira: vale acompanhar se a escala combinada ajuda a reverter o prejuízo de 2025 da corretora adquirida. Também fica em aberto como grupos financeiros tradicionais no Japão vão usar corretoras cripto como canal para produtos com stablecoins.