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Apostadores sacam R$ 652,6 mi de bets; falta R$ 1,453 bi

Saque voluntário termina às 23h59 de 5 de outubro; depois, bancos devolvem o saldo de 28,65 milhões de CPFs e a Caixa cuida dos casos com impedimento.

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· 3 min

Uma semana depois da proibição das apostas on-line, os apostadores já tiraram R$ 652,6 milhões das bets. Outro R$ 1,453 bilhão continua nas plataformas, ligado a 28,65 milhões de CPFs que ainda têm dinheiro a receber, conforme o balanço mais recente da Fazenda, publicado pelo jornal O Globo.

O apostador pode sacar por conta própria até as 23h59 de segunda (5 de outubro). A contagem dos saques começou em 26 de setembro. A medida provisória, editada no dia 25, tirou da legalidade as bets de quota fixa, inclusive oferta, intermediação e propaganda. Depois do prazo, o dinheiro não sacado passa a voltar pelos bancos.

O caminho do saldo que ficou nas bets

Quando O que acontece
Até 23h59 de 5 de outubro Apostador retira o saldo por conta própria
A partir de 6 de outubro Sites e aplicativos param de funcionar
7 e 8 de outubro Empresas repassam aos bancos o saldo não sacado de cada CPF
9 a 14 de outubro Bancos devolvem os valores
A partir de 14 de outubro Valor com impedimento vai à Caixa Econômica Federal, que faz a restituição

Cronograma de encerramento das apostas de quota fixa previsto no processo da medida provisória. Fonte: O Globo

Quanto já saiu e quanto ainda falta

Pelos números da Fazenda, o valor que ainda espera resgate é mais que o dobro do que os apostadores já sacaram. O balanço não informa como esse saldo se divide entre as contas.

Antes da proibição, as casas de apostas recebiam algo como R$ 600 milhões diários, conforme números do Banco Central levados pela Fazenda. Segundo o ministério, esse volume praticamente desapareceu desde o sábado, 26 de setembro. A pasta também relatou menos Pix enviados às bets e sinais de que os recursos migram para outras áreas da economia, sem divulgar dados atualizados.

Na semana passada, o governo já tinha atribuído à proibição das bets uma queda de cerca de 10% no Pix em todo o país, sem apresentar estudo nem período de comparação.

Segundo a Fazenda, cerca de 11 operadoras, que reúnem a maior parcela do dinheiro passível de resgate, vêm enviando informações ao governo. A partir de 7 de outubro, o processo passa a envolver o sistema financeiro, que já opera sob a regra que amplia o controle de bancos sobre bets ilegais no Pix, que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), da Fazenda, publicou em setembro.

Sites, perfis e aplicativos na mira

Em paralelo à devolução, a ofensiva contra a oferta irregular seguiu. Do dia 25 de setembro ao dia 1º de outubro, a SPA e o Ciberlab/Senasp, da pasta da Justiça, mandaram 10.435 endereços ilegais para bloqueio.

Nas redes e nos mensageiros, o governo pediu às plataformas que derrubassem 3.040 itens, entre grupos, canais, perfis, páginas e servidores. O Facebook concentra a maior parte, com 1.974 páginas; o Telegram soma 605 itens, o Instagram 375 perfis e o TikTok 85, e o Discord aparece com um servidor. Somado, o público desse material só no Telegram, no Discord e no TikTok batia em 3,46 milhões de seguidores, membros ou usuários.

As lojas de aplicativos de Apple e Google receberam notificação sobre 186 apps, que precisam sair do ar até 6 de outubro. Também foram avisadas oito plataformas de grande porte, para tirar a propaganda de apostas: Discord, Google, Kwai, Meta, Telegram, TikTok, X e YouTube.

O que observar

A dúvida é quantos apostadores ainda com dinheiro parado vão deixar o resgate para a fase bancária. Se a maior parte do R$ 1,453 bilhão ficar para depois de 5 de outubro, bancos e demais instituições financeiras terão seis dias para devolver valores a milhões de pessoas, e a parcela com impedimento seguirá para o banco público.

A outra pergunta é para onde vai o dinheiro que antes ia às apostas. Vale acompanhar se as séries públicas do Banco Central sobre o Pix confirmam a migração para outros gastos, ou se parte do fluxo reaparece em sites irregulares, que seguem sendo enviados para bloqueio aos milhares.

Fontes: O Globo • Let’s Money: Governo atribui queda de 10% no Pix à proibição das bets • Let’s Money: Regra amplia controle de bancos sobre bets ilegais no Pix

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