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Kora, fintech pan-africana, testa stablecoin com lojistas

Com sede em Dubai, a Kora vai começar por USDT e USDC; lojistas poderão guardar saldo em dólar digital ou convertê-lo em moeda local e receber no banco.

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· 3 min

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A Kora, provedora de infraestrutura de pagamentos que atende empresas em vários países africanos, anunciou nesta terça-feira (29) o One Rail, frente que coloca stablecoins ao lado da moeda local na operação de lojistas. Por ora, só lojistas elegíveis de um programa piloto têm acesso. O suporte inicial previsto cobre USDT e USDC; outras moedas digitais atreladas ao dólar dependem de demanda e de condições regulatórias e operacionais, segundo a empresa.

Pelo desenho do comunicado, o comerciante ganha uma wallet exclusiva para receber em stablecoin, acompanha cada entrada em tempo real e tem a conciliação feita de forma automática no painel da Kora. Depois, escolhe entre manter saldo em dólar digital ou trocá-lo por uma das moedas locais aceitas, que chega à conta bancária do lojista pelos canais de pagamento que a companhia já opera.

O que o One Rail promete ao lojista

Etapa Como funciona, segundo a Kora
Moedas no início USDT e USDC
Recebimento Wallet dedicada, rastreio em tempo real e conciliação automática no painel
Saldo Manter em dólar digital ou converter em moeda local suportada
Liquidação Em conta bancária local, pelos canais de pagamento da Kora
Integração Mesmas APIs e ferramentas de desenvolvedor já usadas pelos clientes

Recursos do One Rail descritos no comunicado da Kora. Fonte: Kora

Acesso restrito e primeira fase enxuta

O comunicado fala em lançamento, mas a página do produto descreve uma etapa de acesso antecipado: a Kora diz estar trazendo um grupo pequeno de empresas antes da liberação pública. A companhia também informa que essa primeira fase se concentra em recebimento, pagamentos e tesouraria, com geração de wallet, confirmação de pagamento e liquidação ainda por fluxos manuais.

Para as equipes de tecnologia dos clientes, a promessa é dispensar conhecimento de blockchain, já que as stablecoins entram pelas mesmas APIs e ferramentas que eles já usam com a Kora. Antiga Korapay, a empresa foi fundada em 2018, tem sede em Dubai e cita clientes em mercados como Nigéria, Quênia, Gana, África do Sul e Egito.

O argumento do dólar no comércio africano

A Kora justifica a escolha inicial pelo peso do dólar americano em boa parte das trocas entre países do continente. Na leitura da empresa, quem vende além da fronteira esbarra em liquidação internacional demorada, câmbio caro, pouca liquidez na moeda americana e sistemas que não conversam de um mercado para outro.

“O comércio transfronteiriço na África é travado por muito atrito e por custos de remessa que ficam em média entre 8% e 8,8%, contra a média global de 6,49%”, disse Dickson Nsofor, CEO e fundador da Kora, em tradução livre. Para o executivo, “o One Rail nivela o jogo, permitindo que os lojistas integrem pagamentos em stablecoin à estrutura de pagamentos que já usam”.

Nos EUA, a aposta em stablecoin no caixa segue outro desenho: grandes lojistas clientes do Citi vão poder cobrar em stablecoin sem guardar o token, com a Coinbase fazendo a conversão. No modelo anunciado pela Kora, o comerciante pode ficar com o saldo em dólar digital.

A infraestrutura de stablecoin também tem atraído empresas de remessa: a Kredete comprou a Gravv, plataforma do setor, e trouxe para dentro de casa a etapa que liga seus usuários aos bancos.

O que observar

A primeira pergunta é quanto do volume de lojistas vai passar a circular em stablecoin quando o acesso deixar de ser restrito, e em que ritmo a liquidação manual da fase inicial vai dar lugar a fluxos automáticos. A segunda é regulatória: a entrada de novas moedas digitais está condicionada à prontidão regulatória, o que põe a posição dos reguladores de cada país africano dentro do cronograma.

Vale acompanhar como provedores de pagamento no continente vão tratar o saldo em dólar digital mantido pelo próprio lojista. Para empresas que hoje dependem de bancos locais para chegar à moeda americana, isso mexe na forma de cuidar do câmbio e da tesouraria.

Fontes: Finextra • Kora • Kora: página do One Rail • Let’s Money: Citi e Coinbase • Let’s Money: Kredete

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