A Kredete, fintech de remessas que atende comunidades de mercados emergentes e da diáspora, comprou a Gravv, plataforma de infraestrutura para stablecoins que diz ter processado mais de US$ 3 bilhões em volume anualizado. Com o negócio, anunciado na segunda-feira (21), a compradora passa a operar a própria camada entre cliente e banco.
Kredete e Gravv, segundo as empresas
Indicador
Kredete (compradora)
Gravv (comprada)
Volume anualizado
Mais de US$ 18 bilhões
Mais de US$ 3 bilhões
Base atendida
Mais de 6,5 milhões de usuários
Mais de 1.000 empresas
Alcance
Envio para mais de 60 países
Clientes em mais de 100 países
Outros dados
Fundada em 2022; US$ 24,75 milhões captados
Sete bancos parceiros globais
Valor da compra
Não informado no comunicado
Números informados pelas empresas no comunicado da aquisição. Fonte: Kredete
O que a Kredete passa a controlar
Segundo o comunicado, a compra traz para dentro da empresa a infraestrutura de movimentação de dinheiro que sustenta seus produtos. Ficam sob o comando da Kredete seis etapas da camada que fica entre o cliente e o banco: liquidação em stablecoin, contas em várias moedas, câmbio, liquidez, roteamento e conciliação nos trilhos globais. O texto não revela quanto foi pago pela Gravv.
Por uma integração única, a Gravv junta contas multimoeda, pagamentos globais, emissão de cartões, tesouraria, bancos parceiros, redes blockchain e trilhos locais de pagamento ao destinatário. Por cima disso roda uma camada agêntica, projetada para vigiar a liquidez, escolher a rota, cuidar de câmbio e liquidação e fechar a conciliação em tempo real. A plataforma atende mais de 1.000 empresas espalhadas por mais de 100 países, com sete bancos globais como parceiros, pelos números da própria companhia.
Hakeem Oriola, Chief Technology Officer da Kredete, explicou o encaixe. “Pagamentos globais não são um trilho só; são um problema de coordenação entre bancos, blockchains, liquidez, compliance e sistemas locais de pagamento ao destinatário”, afirmou, em tradução livre.
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Infraestrutura aberta a bancos e a agentes de IA
A operação também muda o papel da compradora. Desde a compra, a Kredete abriu a Gravv a empresas e desenvolvedores de fora da base atual e convida qualquer banco, fintech, plataforma ou construtor que sirva mercados emergentes a montar produtos direto sobre essa estrutura. “Infraestrutura é o fosso competitivo, e a inteligência é a camada de operação”, disse Adeola Adedewe, fundador e CEO da Kredete, em tradução livre.
Criada em 2022 por Adedewe, a Kredete permite enviar dinheiro para mais de 60 países, e cada transferência ajuda o usuário a formar histórico de crédito no país onde mora. A empresa soma US$ 24,75 milhões captados e mais de 6,5 milhões de usuários, segundo o comunicado oficial.
A aposta em agentes aparece na fala de Ebuka Arinze, Chief Product Officer da Kredete: “Acreditamos que o próximo trilhão de dólares em comércio será iniciado e processado por agentes de IA”, disse, em tradução livre. É uma leitura próxima da que a BlackRock faz ao ver stablecoins como moeda dos agentes de IA. O movimento de comprar trilhos também tem outros exemplos no setor: dona da stablecoin USDC, a Circle acerta compra da fintech Tazapay, empresa de Singapura que liga companhias a pagamentos entre países.
O que observar
A compra desloca uma fintech de remessas do lugar de cliente de infraestrutura para o de fornecedora. Vale acompanhar como bancos e fintechs que atendem os mesmos mercados emergentes vão receber a oferta, já que parte deles disputa o consumidor final com a dona da plataforma. A resposta deve indicar se infraestrutura de stablecoin montada por um aplicativo de varejo consegue virar serviço neutro para concorrentes.
A outra pergunta é de governança. Roteamento, câmbio e conciliação decididos por agentes em tempo real mudam quem responde quando um pagamento segue pela rota errada, e o comunicado não detalha limites nem controles para essas decisões. Sem valor divulgado, também fica em aberto quanto compradores estão dispostos a pagar por esse tipo de ativo.