A Visa afirma que sua frente de pagamentos entre empresas somou US$ 1,8 trilhão no último ano fiscal, alta de 7% na comparação anual, dentro dos US$ 14 trilhões que a companhia diz movimentar no mundo. O dado, divulgado em material de marca da própria bandeira, resume a aposta de levar ao B2B a mesma digitalização que consolidou no consumo.
O B2B da Visa em números (segundo a empresa)
| Indicador |
Valor |
| Mercado global mirado (Commercial & Money Movement Solutions) |
US$ 200 trilhões |
| Pagamentos entre empresas no último ano fiscal |
US$ 1,8 trilhão (+7%) |
| Volume total movimentado pela Visa no mundo |
US$ 14 trilhões |
Dados do segmento B2B informados pela Visa. Fonte: Visa
Da máquina de cartões para a gestão financeira
Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil, resume o esforço com uma imagem. “Eu costumo definir a minha área na Visa como a startup dentro da companhia”, diz. Na empresa há 13 anos, ela aponta que a digitalização já madura na pessoa física ainda não alcançou os pagamentos do mundo corporativo, onde, segundo ela, sobra operação manual.
A leitura da executiva é deslocar o foco do produto para a jornada de quem paga: contas a receber, contas a pagar e caixa. Nessa toada, a bandeira vem ampliando serviços de B2B além do cartão. Uma das frentes citadas é a parceria com a Celero, fintech de gestão de caixa que teve aporte da bandeira, cujo Organizador PJ, segundo a empresa, foi usado pelo Sicredi para liberar crédito a cooperados.
Cartão virtual, score de PME e o setor público no radar
Para as empresas menores, o discurso da Visa é de crédito: o prazo e o limite do cartão, diz Marcela, viram fôlego de caixa. “A gente para de falar que o cartão é só um método de pagamento. Para esse público específico, o prazo de 30 dias ou o limite que ele consegue, vira fôlego de caixa”, afirma. A empresa cita ainda o VMTS, score de risco para PMEs que combina IA generativa e machine learning como camada extra à análise dos bancos.
Nas grandes companhias, a aposta ganhou o nome de Visa Commercial Pay, ferramenta que cria cartões virtuais sob demanda, com limite de valor e tipos de despesa permitidos ajustados na própria carteira digital. Viagens a trabalho geram R$ 15 bilhões ao ano no país, e só 5% das transações estariam digitalizadas, número que a Visa atribui à ABRACORP. Segundo a empresa, a etapa seguinte, ainda em construção, é disparar esses cartões a partir do próprio ERP (sistema de gestão empresarial) para quitar contas de fornecedores, e a bandeira diz mirar o setor público como fronteira seguinte.
O que observar
O panorama vem de uma peça publicitária da própria bandeira, então os números carregam o viés de quem os divulga e ainda não há balanço independente que confirme a tração de cada solução. A pergunta que fica é se plataformas de pagamento conseguem virar camada de gestão financeira das empresas sem competir com os bancos que emitem os cartões. Vale acompanhar se soluções de cartão virtual dentro do ERP e scores de crédito baseados em dado transacional avançam além dos pilotos, e quanto do mercado corporativo, hoje ainda preso a processos manuais, migra para trilhos digitais nos próximos ciclos.
Fontes: Visa (conteúdo de marca) • Let’s Money • Let’s Money