A Crown, que se apresenta como a maior emissora de stablecoins do Brasil, protocolou pedido ao Banco Central (BC) de autorização para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). A fintech emite a BRLV, a stablecoin em reais que lançou em outubro de 2025. O pedido agora passa pela análise do regulador.
O pedido de autorização foi apresentado na modalidade de corretora, a mais abrangente entre as três previstas na regulamentação, por reunir as atividades de intermediação e custódia de ativos virtuais. A Crown também solicitou autorização para operar em câmbio com ativos virtuais, oferecer conta de pagamento pré-paga e participar do Pix.
“A iniciativa reforça o compromisso da Crown com a construção de uma operação estruturada para atuar no ambiente regulado de ativos virtuais no Brasil, com atenção à governança, à transparência e à robustez de seus controles operacionais”, diz John Delaney, fundador da Crown.
Primeira de duas fases, com prazo em 30 de outubro
O pedido segue as disposições da Resolução 519 do BC e integra a primeira de duas fases do processo de autorização, cujo prazo para protocolo se encerra em 30 de outubro de 2026. O protocolo formaliza a entrada da Crown no processo de análise do Banco Central e permite o avanço de etapas regulatórias subsequentes.
Hoje a Crown opera sob o regime de transição conhecido como grandfathering, aplicável às empresas que já prestavam serviços de ativos virtuais quando as novas regras entraram em vigor. São essas regras que, como o Let’s Money mostrou, elevaram o capital mínimo exigido e devem enxugar o mercado cripto no Brasil.
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O que a Crown entregou ao BC
A preparação do pedido envolveu a apresentação de informações sobre a estrutura de controle da companhia, as demonstrações financeiras auditadas, a capacidade econômico-financeira, reputação ilibada dos controladores e a infraestrutura operacional.
Em 7 de outubro de 2026, a companhia concluiu suas primeiras demonstrações financeiras auditadas, etapa considerada relevante para a preparação da documentação e a avaliação de sua estrutura econômico-financeira.
Crown · pedido ao Banco Central
O que a Crown pediu ao BC
Pedido de autorização como SPSAV, protocolado em outubro de 2026 e ainda em análise
Item
Detalhe
Modalidade
Corretora (intermediação e custódia), a mais abrangente das três
Pedidos adicionais
Câmbio com ativos virtuais, conta de pagamento pré-paga e participação no Pix
Norma e fase
Resolução 519 do BC, primeira de duas fases
Prazo de protocolo
30 de outubro de 2026
Balanço auditado
Primeiras demonstrações concluídas em 7 de outubro de 2026
Informações da Crown sobre o pedido. Fonte: Crown (15/10/2026). Arte: Let’s Money.
Próximas etapas e a BRLV
Com o protocolo, a Crown também poderá avançar em procedimentos complementares, como o cadastro no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS), além das demais etapas previstas na regulamentação. A continuidade do processo envolverá o cumprimento dos demais requisitos regulatórios aplicáveis e a análise do BC das informações já apresentadas.
A Crown se define como a fintech de infraestrutura que estabelece o padrão institucional para o Real on-chain. O produto é a BRLV, que a empresa descreve como a primeira stablecoin com arquitetura bankruptcy-remote, garantindo aos detentores direito legal direto sobre as reservas e o fim do risco de contraparte.
O que observar
No processo de autorização do BC, 30 de outubro de 2026 encerra o prazo de protocolo da primeira fase. Vale acompanhar quantas emissoras de stablecoins em reais entram na fila até essa data e quanto tempo o BC leva para analisar pedidos que combinam corretora, câmbio com ativos virtuais, conta de pagamento pré-paga e participação no Pix. Para quem usa stablecoins lastreadas em real, a análise define em que regime essas empresas seguirão operando.