Ir para o conteúdo

Pagamentos GlobaisCripto · Arábia Saudita

Arábia Saudita sai do mBridge, rede de pagamentos da China

A Arábia Saudita confirmou ao Financial Times que deixou em 2025 o mBridge, programa de moeda digital entre bancos centrais liderado pela China.

por

· 3 min

shutterstock 2759872923
Shutterstock

A Arábia Saudita saiu do mBridge, o programa de pagamentos transfronteiriços e moeda digital liderado pela China que promete encurtar o papel do dólar como moeda intermediária. O governo saudita confirmou ao Financial Times que deixou a iniciativa em 2025 e afirmou que a decisão sempre fez parte de seu plano.

O mBridge em números

Indicador Apurado até nov/2025 Apurado até out/2022
Transações processadas 4.047 transações 160 transações
Volume total US$ 55,49 bilhões US$ 22 milhões

Volume processado pelo mBridge, segundo o Atlantic Council. Fonte: PYMNTS

O que é o mBridge

O mBridge usa blockchain para transacionar diretamente entre bancos centrais com suas moedas digitais. A proposta é reduzir o tempo e o custo das operações de câmbio e diminuir a função do dólar como intermediário, com lançamento comercial próximo. A Arábia Saudita, aliada histórica dos Estados Unidos no Oriente Médio, tinha entrado como participante ativa em 2024, ao lado de China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que liderou o projeto no início e depois se afastou.

Ao confirmar a saída, o governo saudita minimizou o movimento e disse que ele sempre fez parte de seu plano, sem detalhar os motivos. A decisão coloca um dos maiores exportadores de petróleo do mundo fora de um arranjo que reúne algumas das principais economias da Ásia.

O tema já vinha sendo acompanhado pelo Let’s Money: o mBridge é apontado como ameaça ao domínio do Swift justamente por permitir liquidação entre autoridades monetárias sem o trilho tradicional dominado pelo dólar.

Volume cresceu e virou disputa geopolítica

Até novembro de 2025, o mBridge havia processado 4.047 transações, com volume total de US$ 55,49 bilhões, segundo o Atlantic Council. É um salto frente às 160 transações e aos US$ 22 milhões movimentados até outubro de 2022, quando o projeto ainda dava seus primeiros passos.

O avanço de arranjos que contornam o dólar entrou no radar político de Washington. O presidente Donald Trump ameaçou os países do BRICS, bloco de 10 grandes economias que inclui China, Rússia e Índia, com tarifas de 100% caso insistam em buscar alternativas à moeda americana. A tensão cresce à medida que o mBridge se aproxima do uso comercial e ganha peso como trilho de liquidação fora do circuito tradicional.

O que observar

A saída de um aliado tradicional dos Estados Unidos de um projeto puxado pela China mostra como a infraestrutura de pagamentos virou terreno de disputa entre potências. A pergunta que fica é se outros participantes vão reavaliar sua presença à medida que o mBridge se aproxima do lançamento comercial, ou se o volume seguirá concentrado entre os bancos centrais que permanecem.

Vale acompanhar se iniciativas de moeda digital entre bancos centrais conseguem ganhar escala enquanto convivem com a pressão de economias que dependem do dólar como moeda de reserva. O teste será se a promessa de câmbio mais barato e rápido supera o custo político de participar de uma rede vista como concorrente do sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos.

Fontes: PYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasInternacional
Ver a editoria

Mais artigos de Internacional

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.