A gestora de recursos do BTG Pactual e a chinesa China Southern Asset Management firmaram um MOU, sigla em inglês para memorando de entendimento, com o plano de desenvolver juntas ETFs que abririam a bolsa do Brasil ao investidor chinês e as da China ao brasileiro. Por ora, os fundos são proposta: o anúncio, de 9 de outubro, não fixa data para nenhuma listagem.
China Southern · tamanho da gestora parceira
A parceira chinesa no memorando administra US$ 402 bilhões e tem 68 ETFs
Números informados no comunicado; ativos sob gestão de dezembro de 2025

Números autodeclarados pela gestora. Fonte: BTG Pactual Asset Management (09/10/2026). Arte: Let’s Money.
Como o cross-listing funcionaria
O desenho é espelhado: cada gestora listaria em casa um fundo que compraria cotas de um ETF administrado pela parceira. O investidor negociaria um papel local, na bolsa que já usa, e a exposição estrangeira viria por tabela.
Cada lado listaria um fundo que compra o ETF do parceiro
| Lado |
Onde o fundo seria listado |
No que ele investiria |
| Investidor chinês |
Bolsa de Xangai ou de Shenzhen, em renminbi |
BZEQ11, ETF da BTG que segue o MSCI Brazil 25/50 |
| Investidor brasileiro |
B3 |
ETF de ações chinesas gerido pela China Southern |
Estrutura proposta no memorando, sem data de listagem. Fonte: BTG Pactual Asset Management
O ETF chinês da China Southern que serviria de alvo ao fundo da B3 ainda não tem nome divulgado. Para quem investe daqui, a BTG vende o arranjo como porta de entrada a semicondutores, inteligência artificial e tecnologia, além de manufatura avançada e transição energética.
O que cada gestora leva para a mesa
A China Southern tem 132 fundos na área de índices, 68 deles ETFs, e uma rede de distribuição com perto de 225 milhões de clientes. A gestora se apresenta como líder em ETFs feeder na China, formato que já dá acesso a mercados como Arábia Saudita, Japão e Singapura, e cita dados da Wind pelos quais sua equipe passiva teve o tracking error mais baixo do setor chinês no triênio de 2022 a 2024. Em 2024, os fundos de ações com gestão passiva passaram os de gestão ativa em patrimônio no país, e o segmento de ETFs chinês somava perto de RMB 6 trilhões, ou US$ 850 bilhões.
A BTG Pactual Asset, com mais de R$ 690 bilhões sob gestão e escritórios em dez países, já vinha ampliando a prateleira internacional. Em setembro, ela e a Allianz Global Investors firmaram uma parceria de distribuição voltada ao offshore dos EUA e à América Latina.
“Nosso objetivo é oferecer aos clientes acesso às melhores oportunidades de investimento, onde quer que elas estejam”, afirmou Rubens Henriques, CEO da BTG Pactual Asset Management. Sobre a outra ponta, ele disse que a parceria “abre um novo caminho para que investidores chineses acessem os mercados brasileiros”.
O produto chegaria a um mercado local de fundos de índice em expansão: a base de pessoas físicas com ETFs na B3 alcançou 862 mil CPFs no fim do segundo trimestre de 2026, pelo boletim da própria bolsa.
O que observar
O primeiro teste é de calendário. Um memorando de entendimento registra intenção, e o anúncio não traz prazos nem trata de eventuais autorizações de reguladores e bolsas dos dois países. Vale acompanhar quando, e em qual das duas bolsas chinesas, o primeiro fundo aparece.
A segunda pergunta é de custo. Um fundo que só compra cotas de outro ETF tende a somar duas camadas de taxa, além da variação cambial entre real e renminbi. Para gestoras que disputam o investidor de varejo em fundos de índice, a atratividade do formato deve depender de quanto dessa conta chega ao preço final.
Fontes: BTG Pactual Asset Management • China Southern Asset Management • Let’s Money: Allianz GI e BTG firmam parceria de distribuição • Let’s Money: B3: ETFs ganham 223 mil investidores e chegam a 862 mil CPFs