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Autoridade bancária da UE defende regular empréstimo cripto

A EBA recomendou à Comissão Europeia estudar a inclusão do empréstimo cripto na MiCA, com exigências para prestadoras que dão acesso a protocolos DeFi.

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· 4 min

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A Autoridade Bancária Europeia (EBA) recomendou à Comissão Europeia que avalie colocar o empréstimo de criptoativos sob a MiCA, a lei de cripto da União Europeia, inclusive quando uma prestadora de serviços abre ao cliente a porta de protocolos de empréstimo em finanças descentralizadas (DeFi). A proposta está na resposta do órgão à consulta sobre a revisão da lei, publicada nesta quinta-feira (24).

Hoje a atividade fica fora do alcance da MiCA. A EBA não entrega regra pronta: quer que a Comissão pese custos e benefícios antes de mexer na lei em duas frentes: pôr a intermediação desses empréstimos entre os serviços regulados pela lei e fixar deveres para quem conecta clientes a protocolos DeFi.

O que a EBA põe na mesa para o empréstimo cripto

Requisito potencial O que significaria
Teste de adequação A atividade pode servir só para alguns tipos de usuário
Limite de alavancagem Teto para alguns ou todos os usuários
Divulgação de riscos Informação detalhada antes de emprestar ou tomar emprestado
Aviso extra em DeFi Avisar que protocolos de fato descentralizados não são regulados e não oferecem salvaguardas
Proibição seletiva Vetar a intermediação de empréstimos com tokens que se enquadram como stablecoin da MiCA sem ter autorização
Certificação de protocolos Avaliação mínima da robustez do protocolo, como a resiliência a ciberataques

Requisitos potenciais listados na resposta da EBA à consulta da Comissão Europeia sobre a revisão da MiCA. Fonte: EBA

Por que o supervisor bancário olha para o empréstimo cripto

A EBA acompanha empréstimos de cripto e DeFi desde 2023 e descreve uma atividade que ganha volume e valor no bloco, por intermediários e por protocolos descentralizados. Estudo com a ESMA, a autoridade europeia de mercados, e divulgado em janeiro de 2025 já via empréstimo cripto com intermediário em no mínimo 16 Estados-membros.

Duas stablecoins concentram as operações, segundo a EBA, que não as nomeia. Uma é um token de moeda eletrônica (EMT) emitido por instituição de moeda eletrônica; a outra se encaixa na mesma definição, mas está vetada ao público na UE porque o emissor não pediu autorização. Há ainda uma brecha: a MiCA proíbe emissores e prestadoras de pagar juros (artigos 40 e 50), e emprestar a stablecoin vira um atalho para rendimento, o que o órgão trata como risco de arbitragem regulatória.

Para o consumidor, a lista de riscos vai de alavancagem com efeito de contágio a crédito sem análise de capacidade de pagamento, além de fraudes e ataques.

Interfaces das prestadoras e ferramentas de IA de uso geral também baixaram a barreira técnica de entrada em DeFi. “A facilitação do acesso a DeFi pelas CASPs está tornando ainda mais tênue a fronteira entre as finanças centralizadas e as descentralizadas”, afirmou a EBA no documento (em tradução livre), usando a sigla em inglês das prestadoras de serviços de criptoativos.

No Brasil, esse arranjo de prestadora como porta de entrada para DeFi já chegou ao varejo: a Coinbase lançou rendimento em USDC no Brasil com o Morpho, protocolo de empréstimos onchain.

Uma revisão com várias frentes

A Comissão abriu a consulta em 20 de maio de 2026, com a MiCA em aplicação desde 30 de dezembro de 2024. Até 1º de setembro de 2026, data de referência usada pela EBA, 39 EMTs tinham sido emitidos sob a lei, e nenhum token referenciado a ativos (ART) havia recebido autorização.

Além do empréstimo, o órgão quer reforço para esquemas de múltiplos emissores ligados a países de fora do bloco, cujos riscos classifica como significativos a muito significativos. Também sugere rever o mínimo de reservas mantido em depósitos, esclarecer as definições da lei e revisar o reporte exigido do setor.

O ponto das reservas conversa com a posição dos bancos centrais da UE, que pedem o fim da reserva mínima de stablecoin em banco. A EBA, mais contida, fala apenas em revisar a exigência.

O que observar

A recomendação cria uma etapa prévia: medir custo e benefício pela escala da atividade, pelo peso do varejo e pela materialidade dos riscos. Vale acompanhar se o empréstimo cripto entra na revisão da MiCA e em que prazo.

O desenho mais difícil é o da certificação: quem responde por um protocolo sem controlador identificável? Se for a prestadora que serve de porta de entrada, o peso recai sobre avisos, testes de perfil e bloqueios. Outra frente sensível são as plataformas que intermediam empréstimos com stablecoins sem autorização, e o efeito de uma eventual proibição sobre a oferta de rendimento no bloco.

Fontes: EBA • Resposta da EBA à Comissão Europeia • Cointelegraph Brasil

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