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Sicredi lança rede para embutir serviços financeiros em ERPs

Rede de parceiros do Sicredi poderá integrar pagamentos, cobranças e conciliação aos sistemas de gestão de empresas, conforme o escopo de cada acordo.

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Stella Fraiha, Superintendente de Negócios PJ do Sicredi. Foto: Reprodução

O Sicredi lançou o Ecossistema Multiplica, rede de parceiros de tecnologia com a qual pretende embutir serviços financeiros em ERPs e outros sistemas de gestão usados por empresas. A proposta da instituição é trocar conexões técnicas avulsas por acordos comerciais desenhados junto com cada parceiro, numa frente voltada ao cliente pessoa jurídica.

Como funciona o Ecossistema Multiplica

Item O que o Sicredi descreve
Parceiros buscados ERPs, software houses, plataformas digitais e empresas de tecnologia
Serviços integráveis Pagamentos, cobranças, transferências, conciliação e outras soluções financeiras, conforme o escopo definido com cada parceiro
O que a parceria pode envolver Conexão por APIs e definição conjunta de jornada, modelo comercial, governança e evolução das soluções
Onde o usuário poderá acessar No ambiente em que já acompanha vendas, fluxo de caixa, estoque e fornecedores

Desenho do programa descrito pela instituição. Fonte: Sicredi

Do encaixe técnico ao acordo comercial

Pela descrição do Sicredi, o programa muda o método de trabalho com empresas de tecnologia. Em vez de ligações pontuais entre sistemas, a ideia é firmar parcerias com mais estrutura, nas quais o Sicredi e o parceiro constroem juntos o percurso do usuário e o modelo de negócio por trás dele. O Sicredi entra com a base financeira e regulatória; o parceiro, com o que sabe sobre a rotina dos próprios clientes.

Na prática, o cardápio inclui pagamentos, cobranças, transferências e conciliação, entre outras soluções, e muda de acordo com o que for acertado caso a caso. A conexão por API tende a ser só uma parte: governança, modelo comercial e a evolução dos produtos também podem entrar na negociação. Com isso, o usuário do sistema poderá resolver a parte financeira sem sair da tela onde controla vendas, caixa e estoque. O comunicado não nomeia parceiros já fechados nem informa quando as primeiras integrações chegam aos usuários.

“O Ecossistema Multiplica do Sicredi amplia nossa presença nos ambientes em que as empresas já administram seus negócios. A integração tecnológica é o meio essencial, mas é através do relacionamento próximo que buscamos construir parcerias de longo prazo com plataformas de diferentes portes”, afirmou Stella Fraiha, Superintendente de Negócios PJ do Sicredi.

Uma aposta ancorada em projeção de mercado

O comunicado enquadra o lançamento numa tendência global. Embedded finance, nome dado à oferta de produtos financeiros dentro de plataformas que não são bancos, chegaria a US$ 7,2 trilhões no mundo até 2030. Segundo o Sicredi, a conta é da ABN AMRO Ventures em parceria com a Dealroom, e foi reproduzida pelo Fórum Econômico Mundial.

O desenho de levar a conta para dentro do software do cliente também aparece fora do país. Nos EUA, a FIS lançou uma plataforma de finanças embarcadas para bancos, que poderão embutir contas e pagamentos no sistema usado pelas empresas no dia a dia; essas duas funções estão previstas para o quarto trimestre de 2026.

No Brasil, o movimento parte de um segmento em expansão. Em 2025, o crédito das cooperativas cresceu mais que o dos bancos: a carteira do setor avançou 13,1%, ante 8,5% do restante do sistema financeiro, segundo o Panorama anual do Banco Central.

O que observar

A primeira incógnita é o ritmo de adesão. Um acordo com jornada, modelo comercial e governança definidos a quatro mãos exige mais negociação do que uma conexão técnica isolada, e o comunicado não traz meta de parceiros nem calendário. Vale acompanhar quantas plataformas entram na rede, de que porte e em quais setores, já que o programa mira plataformas de portes diferentes.

A segunda pergunta é de relacionamento. Em finanças embarcadas, quem controla a tela do usuário é o dono do software. Para cooperativas de crédito, cujo modelo se apoia no vínculo com o associado, o teste tende a ser conciliar esse arranjo com a relação direta que sustenta o sistema, e medir quanto do cliente PJ chega pela porta do parceiro.

Fontes: Sicredi

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