A Stay, fintech de previdência privada voltada a empresas, levantou R$ 30 milhões em uma rodada comandada pela Citrino, informou o Valor. O dinheiro vai bancar a expansão da companhia no Brasil, onde menos de 3% dos trabalhadores têm um plano de previdência oferecido pelo empregador, segundo o fundador da Stay em declaração reproduzida pelo Times Brasil.
A rodada da Stay e os números da empresa
| Item |
Dado |
| Aporte anunciado em 25/09/2026 |
R$ 30 milhões; Citrino na liderança, com Norte, 17Sigma e BTV |
| Primeira rodada |
R$ 15 milhões, com MAYA Capital e Better Tomorrow Ventures |
| Ativos sob gestão |
31 vezes maiores desde a fundação |
| Meta para o fim de 2026 |
Mais de 100 clientes corporativos |
Rodada segundo o Valor e o Times Brasil; números da empresa segundo o Times Brasil. Fontes: Valor Econômico e Times Brasil
Quem entra no capital da Stay
A líder da rodada, a Citrino, combina gestão de recursos com a atividade de multi-family office e, segundo o Valor, tem ligação com grandes famílias empresárias brasileiras. Norte, 17Sigma e BTV completam a lista de investidores do aporte, anunciado na sexta-feira, 25 de setembro. A startup já tinha captado R$ 15 milhões na rodada inicial, que reuniu MAYA Capital e Better Tomorrow Ventures, conforme o Times Brasil.
Para o fundador, a entrada da Citrino no capital funciona como selo de confiança, fator que ele considera central para o negócio. “A gente sabe que cuidar do dinheiro das pessoas por décadas requer confiança”, afirmou Tsai Chi-yu, fundador e CEO da Stay, segundo o Times Brasil.
Como funciona o modelo da Stay
A Stay se coloca entre empregadores de vários tamanhos e as seguradoras que oferecem os planos. Além da previdência, a empresa monta programas de incentivos de longo prazo (ILP), que as companhias usam para reter funcionários. Uma das parcerias com seguradoras é com a Zurich Seguros, fechada em 2024.
Claro, iFood, Milky Moo e Hospital de Câncer Araújo Jorge figuram entre os clientes da Stay mencionados pelo Times Brasil. A mesma reportagem registra que, desde a fundação, a Stay multiplicou por 31 os ativos sob gestão.
Tsai associa o produto ao aperto no orçamento doméstico. “Criamos essa resposta direta aos níveis recordes de inadimplência das famílias brasileiras, hoje pressionados também pelo avanço das bets”, afirmou ele na mesma reportagem. A relação entre dívidas, apostas e trabalho aparece em outras ofertas recentes para o RH, como a plataforma de saúde financeira para empresas lançada pela HealthBit, voltada a funcionários superendividados ou com uso compulsivo de apostas.
No varejo, a rota é outra: bancos digitais vendem previdência direto à pessoa física, caso do PagBank, que abre a previdência da Icatu no próprio aplicativo.
O que observar
A distância entre os menos de 3% citados pelo CEO e a faixa de 70% a 90% citada para economias comparáveis na Europa, na Ásia e nos EUA é o argumento central de quem vende previdência pelo empregador. Vale acompanhar se o capital novo se converte em adesão dos funcionários, além de contratos assinados com as empresas, já que a métrica divulgada até aqui é o número de clientes corporativos.
Outra pergunta é como plataformas de benefícios corporativos e seguradoras vão dividir esse espaço: se a previdência passa a ser item de um pacote de saúde financeira, ao lado de programas contra o endividamento, ou se segue vendida como produto isolado. A meta de superar a marca de 100 empresas clientes até dezembro de 2026 oferece a primeira régua pública para medir o ritmo da expansão.
Fontes: Valor Econômico • Times Brasil • Stay • Let’s Money • Let’s Money