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Thought Machine e AWS anunciam IA para migrar core de bancos

Pipeline extrai regras de negócio de milhões de linhas de código de mainframe, como COBOL, e gera produtos financeiros em Python testados em sandbox.

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· 3 min

gguy / Shutterstock.com

A Thought Machine, empresa cloud-native de tecnologia de core bancário e pagamentos, anunciou nesta terça-feira (29) uma solução com inteligência artificial montada com o AWS Transform, da Amazon Web Services, para acelerar a migração de sistemas legados de bancos. O pipeline promete converter milhões de linhas de código de mainframe, como COBOL, em produtos financeiros escritos em Python e testados em sandbox.

O pipeline de migração em quatro etapas

Etapa Quem executa O que acontece
1. Extração AWS Transform Descoberta e engenharia reversa das aplicações legadas; a lógica de negócio vira especificação no formato EARS
2. Consolidação Pipeline conjunto Centenas de variações redundantes de produtos legados são reduzidas a especificações enxutas
3. Síntese Vault Forge, via Amazon Bedrock Agentes de IA especializados geram produtos financeiros em Python, suítes de teste e configurações
4. Validação Equipe do banco Revisão humana com poder de aprovação; depois, envio a um sandbox da plataforma Vault para avaliação adicional

Etapas descritas no comunicado da Thought Machine de 29 de setembro de 2026. Fonte: Thought Machine

Regras de negócio no lugar da tradução linha a linha

O diferencial que a empresa destaca está no método. Em vez de reescrever o programa antigo instrução por instrução, o pipeline tenta recuperar a intenção de negócio de cada produto, e todo o processo roda dentro do ambiente AWS do próprio banco. Pelo diagnóstico da Thought Machine, cores legados costumam gravar os produtos direto na camada de banco de dados, o que torna a troca lenta e arriscada.

Na plataforma Vault, da companhia, cada produto é definido como código em Python, separado da infraestrutura. Entram nessa camada cálculos de juros, tabelas de tarifas, fluxos de pagamento de parcelas e ciclos de vida das contas. É essa separação que, segundo a descrição da empresa, deixa os agentes de IA converterem regras antigas direto para o novo formato.

Os ganhos anunciados são autodeclarados. A Thought Machine afirma que o processo encurta para dias etapas que levavam anos, a uma fração do custo tradicional, e se apresenta como a primeira companhia de core bancário a trabalhar com os agentes de modernização do AWS Transform. O fluxo termina num sandbox, onde os produtos gerados passam por nova avaliação; o comunicado não trata da entrada em produção.

Para apoiar a adoção, a empresa está lançando o Core Modernisation Accelerator, programa em que arquitetos técnicos, especialistas de produto e engenheiros alocados atuam lado a lado com as equipes dos bancos.

“Ao combinar o AWS Transform diretamente com o Vault Forge, estamos reescrevendo de forma fundamental a economia da modernização do core”, disse Paul Taylor, CEO da Thought Machine.

“As instituições financeiras estão em um ponto de inflexão. O custo de manter a infraestrutura legada continua subindo, enquanto as expectativas dos clientes e as exigências regulatórias evoluem em ritmo acelerado”, disse Charith Mendis, Head of Worldwide Banking, Financial Services Industries da Amazon Web Services.

Outras rotas para sair do core antigo

Fornecedores de software bancário e provedores de nuvem disputam esse trabalho por caminhos distintos. A Temenos, por exemplo, reúne core, digital e pagamentos no SaaS da AWS, com os módulos vendidos como serviço.

No Reino Unido, a Nationwide migrou 15 milhões de contas para uma plataforma core na nuvem Microsoft e tirou de operação uma base de dados que rodava havia 45 anos.

No Brasil, o Bradesco defende outra arquitetura: o banco mantém o mainframe no core bancário com IA e, pela arquitetura híbrida que defende, reserva a nuvem para as jornadas periféricas.

O que observar

Para bancos com produtos presos a mainframe, a pergunta prática é quanto da lógica extraída chega ao sandbox sem retrabalho manual, e quanto tempo separa essa etapa da operação real. As promessas de dias em vez de anos e de custo menor ainda não aparecem ligadas a casos de clientes nomeados no anúncio.

Vale acompanhar também como a revisão humana obrigatória se encaixa nas exigências de auditoria e dos supervisores bancários, já que o código dos produtos passa a sair de agentes de IA. Outra questão é se a extração automática de regras de negócio vira requisito comum nas concorrências de modernização de core entre fornecedores de software bancário.

Fontes: Thought Machine • Finextra • Let’s Money

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