A fintech egípcia Paymob fechou uma rodada pré-Série C de US$ 35 milhões, co-liderada pela Mubadala Investment Company, investidor soberano de Abu Dhabi, e pelo Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). O aporte antecede uma futura Série C e amarra a companhia a um dos maiores fundos soberanos do Golfo.
Paymob em números, segundo a empresa
| Indicador |
Valor |
| Soluções de pagamento no gateway |
mais de 60 |
| Receita consolidada (18 meses, 4 mercados) |
3x |
| Receita nos mercados do Golfo (GCC) |
7x |
| Lojistas integrados desde jan/2025 |
cerca de 20 mil |
| Sites de lojistas conectados |
perto de 400 mil |
Números divulgados pela Paymob. Fonte: Finextra
Quem colocou dinheiro na rodada
A liderança do cheque ficou dividida entre dois perfis distintos de capital. De um lado, a Mubadala, braço de investimento soberano de Abu Dhabi, que agora ocupa uma cadeira no quadro de sócios. Do outro, o BERD, banco multilateral de fomento voltado a mercados em desenvolvimento. A companhia informou ainda contar com o apoio de acionistas que já estavam na base.
Segundo o presidente-executivo Islam Shawky, o dinheiro tem destinação declarada. “Esta rodada pré-Série C vai nos ajudar a acelerar nosso plano de crescimento em toda a região MENA e adiantar nosso roteiro de produtos para nos tornarmos a plataforma de pagamentos preferida para o comércio agêntico”, disse, em tradução livre. O executivo acrescentou estar “muito animado com a entrada da Mubadala” no capital.
O que a Paymob leva para a próxima etapa
Nascida em 2015 pelas mãos de Islam Shawky, Alain El Hajj e Mostafa El Menessy, a empresa opera um gateway omnichannel que, pelos seus próprios números, reúne mais de 60 soluções de pagamento para lojistas. A cobertura passa pelo Egito e por países vizinhos, com bases nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita e em Omã.
O desempenho recente, conforme informado pela fintech, mostra por que o Golfo virou prioridade. A receita consolidada triplicou nos últimos 18 meses nos quatro mercados, enquanto a receita vinda dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) cresceu sete vezes, respondendo por perto de metade do total. Desde que obteve a licença de serviços de pagamento de varejo junto ao banco central dos Emirados, em janeiro de 2025, a companhia diz ter integrado cerca de 20 mil lojistas, elevando o total de sites conectados para perto de 400 mil. O mesmo apetite por consolidação move outros nomes do continente, como quando a Flutterwave comprou uma fintech de open banking, e o próprio Egito viu o lançamento da primeira solução antifraude com IA do país.
O que observar
O rótulo “pré-Série C” é o detalhe que merece atenção. Ele sinaliza uma ponte de capital antes de uma captação maior, um formato comum quando a empresa quer estender o caixa sem fixar agora o preço de uma rodada cheia. Vale acompanhar se a entrada de um fundo soberano do Golfo, num negócio cuja receita já se concentra na região, prepara o terreno para uma Série C ancorada mais no Golfo do que no mercado de origem.
Há também a aposta declarada em comércio agêntico, ou seja, compras conduzidas por agentes de inteligência artificial. É uma frente ainda incipiente para adquirentes e gateways em todo o mundo. A pergunta que fica é se plataformas de pagamento de mercados emergentes conseguem transformar volume de lojistas em produtos para esse novo fluxo antes dos grandes incumbentes globais. O ritmo de aportes no setor dá pistas, num ano em que as fintechs voltaram a atrair investimentos em 2025.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money