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BC cria exclusão do Pix por 90 dias e exige auditoria

BC exclui do Pix participante sem liquidante ativo por 90 dias e passa a exigir auditoria independente de quem descumprir as regras.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central publicou resolução com vigência imediata que amplia os poderes de fiscalização do Pix: poderá exigir relatórios de auditoria independente de participantes e excluir automaticamente do arranjo instituições sem liquidante ativo no SPI por mais de 90 dias. A resolução foi publicada em 27 de abril no Diário Oficial da União e altera o regulamento original do Pix, criado em agosto de 2020.

Resolução do BC: mudanças no regulamento do Pix

Medida Descrição Vigência
Auditoria independente (CVM) BC pode exigir relatório de auditor registrado na CVM de participantes notificados ou sob verificação Imediata
Exclusão por 90 dias sem liquidante Perda de status de participante do SPI se ficar sem liquidante ativo por mais de 90 dias corridos Imediata
MED: bloqueio complementar Conta recebedora bloqueada a cada novo ingresso de recursos, até o limite do valor solicitado ou encerramento do procedimento 1º/jul/2026

Mudanças publicadas pelo BC no regulamento do Pix. Fonte: Money Times

Auditoria e convocações: novos instrumentos de verificação

Com a nova resolução, o BC passa a poder exigir que participantes do Pix apresentem relatório elaborado por auditoria independente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A exigência pode ser feita de duas formas: como parte do processo de verificação de aderência às normas do arranjo ou quando o participante for notificado por descumprimento das regras. Em ambos os casos, a firma contratada deve ter capacidade técnica, administrativa e operacional compatível com a execução dos trabalhos.

A resolução também formaliza a convocação de representantes de participantes para prestar esclarecimentos, de forma presencial ou virtual. Segundo o advogado e professor Aylton Gonçalves, a prática já existia na autarquia: “O que podemos esperar a partir disso é que o Banco Central se utilize mais desse contato direto, uma vez que o Pix tem sido cada vez mais alvo da atividade sancionadora do BC.” Para o diretor Gilneu Vivan, as mudanças trazem “mais flexibilidade e tempestividade” ao processo de verificação do BC sobre os participantes do arranjo.

Exclusão por 90 dias e MED mais rigoroso

A nova hipótese de exclusão atinge participantes indiretos que ficarem sem um liquidante ativo no SPI por mais de 90 dias corridos. Hoje, há duas modalidades no sistema: os participantes diretos, que liquidam as transações diretamente, e os indiretos, cujas transações passam por um liquidante. O BC aponta que manter no arranjo instituições sem movimentação cria risco de uso ilícito e prejudica diretamente os usuários.

Segundo Vivan, na exposição de motivos da resolução, o impacto recai diretamente sobre os usuários: ficam impossibilitados de transacionar, de acessar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) ou de transferir suas chaves Pix para outros participantes. O movimento reflete um endurecimento mais amplo: para o advogado Thiago Amaral, do escritório BTLaw, o BC exerce “um maior controle sobre quem pode ou não permanecer no Pix”, tendência que se aplica tanto a participantes do arranjo quanto a adquirentes com irregularidades operacionais, como adquirentes que acumularam atrasos em repasses a lojistas já demonstraram.

No MED, a mudança complementa o bloqueio imediato da conta recebedora já existente: a partir de 1º de julho de 2026, o bloqueio deverá ser estendido a cada novo ingresso de recursos na conta, até o limite do valor solicitado ou até o encerramento do procedimento de notificação de infração. A medida visa conter situações em que suspeita de fraude já foi identificada mas recursos continuam entrando na conta e escapando do bloqueio, cenário que golpes via sistema Pix têm explorado.

O que observar

A resolução reforça um padrão: o BC vem expandindo sistematicamente os instrumentos de enforcement do Pix. Auditoria independente já era exigência na regulação dos Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), e sua extensão ao arranjo principal sinaliza que a autarquia quer elevar o padrão de comprovação documental em toda a cadeia. A pergunta relevante é se o uso dessas ferramentas aumentará de forma proporcional ao crescimento do arranjo ou se permanecerá como mecanismo de último recurso, acionado apenas em casos extremos.

A regra dos 90 dias afeta principalmente participantes indiretos de menor porte, que dependem de liquidantes e podem perder o relacionamento sem acionar o BC. Vale acompanhar como a autarquia definirá o monitoramento automatizado para detectar essas situações em tempo hábil, antes que usuários sejam afetados. Para o MED, a mudança de julho reforça a ferramenta contra fraudes em que criminosos fracionam saques para burlar bloqueios parciais, padrão identificado em esquemas de lavagem que usam contas de passagem.

Fontes: Money TimesLet’s MoneyLet’s Money

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