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WSJ: cartão negado pelo JPMorgan pode ir ao crédito privado

O JPMorgan consultou empresas sobre assumir o risco de pedidos de cartão que recusa nos EUA, diz o WSJ; o banco afirma não ter planos para esse programa.

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· 3 min

O JPMorgan Chase consultou várias empresas sobre a ideia de elas assumirem o risco de aprovar pedidos de cartão de crédito que o banco recusa nos EUA, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na terça-feira (22). Ao jornal, um porta-voz afirmou que o banco não tem planos para um programa desse tipo.

Como funcionaria a segunda análise, segundo o relato

Etapa O que foi reportado
1. Pedido negado O JPMorgan recusa o candidato ao cartão
2. Nova avaliação Empresas consultadas pelo banco poderiam aprovar o pedido e ficar com o risco
3. Funding Parte dessas empresas procurou gestoras de crédito privado
Status Fase inicial, pode não sair; o banco diz não ter planos para o programa

Desenho descrito por fontes ao Wall Street Journal. Fonte: PYMNTS

O atrito entre emissor e marcas parceiras

Pela leitura do WSJ, a consulta seria uma forma de aliviar uma disputa antiga do banco com as marcas que dividem com ele os cartões, como varejistas e companhias aéreas. Essas empresas contam com o cartão próprio para conquistar clientes e costumam pressionar o emissor a aceitar mais candidatos do que a régua de crédito dele admite.

A United Airlines aparece como exemplo. Parte das fontes relatou ao jornal que o volume de recusas do JPMorgan criou desgaste com a companhia aérea. Do lado da United, uma pessoa a par do programa de cartão disse que as duas empresas trabalharam para contornar o problema.

A reportagem também cita o Apple Card como exemplo desse conflito. A Apple queria que o Goldman Sachs aprovasse praticamente todo mundo que pedisse o cartão, e o banco acabou com exposição acima do normal a clientes subprime, de maior risco. O produto vai trocar de emissor: pela transição em que o JP Morgan Chase assume o Apple Card e encerra a parceria da Apple com o Goldman, o JPMorgan passará a emitir o cartão.

Onde entra o crédito privado

O relato ganha peso pelo passo seguinte. Algumas das empresas consultadas levaram a conversa a gestoras de crédito privado, que vêm ampliando espaço na dívida de consumo. Na avaliação do WSJ, uma associação com o JPMorgan representaria um novo patamar de aceitação desse mercado nas finanças tradicionais, porque entre os parceiros de cartão do banco estão United Airlines, Marriott e Amazon.

Nada disso está fechado. As fontes descreveram os planos como preliminares e disseram que eles podem não avançar. O porta-voz do banco, por sua vez, afirmou que não há planos para o que as fontes chamaram de “second-look applications”, os pedidos em segunda análise.

O tema toca um mercado que o comando do banco já comentou em público: o CEO do JPMorgan disse que o crédito privado terá perdas maiores.

O que observar

Se um arranjo desse tipo sair do papel, emissores de cartão ganhariam um jeito de atender às marcas parceiras sem afrouxar os próprios critérios de crédito, repassando a terceiros o risco dos candidatos recusados. A pergunta é como esses financiadores vão precificar um público que já foi barrado por um banco, e quem responde ao cliente quando o cartão for aprovado fora da régua do emissor.

Para gestoras de crédito privado, pedidos já filtrados por um banco seriam uma porta de entrada em dívida de consumo com volume. Vale acompanhar se outros emissores com cartões de marca própria testam modelos parecidos nos EUA e como reguladores de proteção ao consumidor avaliam cartões aprovados com critérios diferentes dos do emissor.

Fontes: PYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

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