Seis bancos, entre eles Bank of America (BofA), NatWest e ING, publicaram em conjunto um documento com cinco princípios para o comércio agêntico, as compras em que agentes de inteligência artificial escolhem e pagam em nome do cliente. O texto admite que o modelo pode elevar as taxas de golpes, fraudes e disputas e propõe diretrizes voluntárias ao setor.
Os cinco princípios dos bancos para compras por IA
| Princípio | O que os bancos propõem |
|---|---|
| Transparência | todas as partes sabem quando um agente de IA atua e em nome de quem |
| Segurança | cliente vê e gerencia as permissões do agente; quem pode arcar com prejuízo pode exigir autenticação |
| Privacidade e dados | registros auditáveis das instruções do cliente e das decisões de compra |
| Escolha | consumidor e lojista usam os serviços que quiserem, sem restrições injustificadas |
| Interoperabilidade | conexão entre agentes, meios de pagamento e protocolos nas funções essenciais |
Princípios voluntários e não vinculantes. Fonte: Building Trust in Agentic Commerce
O que os bancos enxergam como risco
O documento, Building Trust in Agentic Commerce, tem ainda como coautores Capital One, ASB Bank e Commonwealth Bank of Australia, e parte da desconfiança do público: na avaliação dos autores, “os consumidores não têm clareza se os agentes de IA vão agir em seus interesses” e receiam que esses sistemas “comprem a coisa errada ou gastem demais, ou, pior ainda, percam o dinheiro para golpes e fraudes” (em tradução livre). Lojistas temem mais contestações e chargebacks por motivos fora de seu controle.
Sem citar nomes, os bancos apontam condutas inseguras, como provedores que pedem os dados do cartão ao cliente e os digitam direto nas lojas online ou que preferem meios de pagamento menos protegidos. O texto também prevê criminosos imitando ou comprometendo agentes de IA e lojistas. E há um problema de informação: emissores e credenciadores podem ficar sem acesso imediato à identidade do agente e à intenção de compra.
Para os autores, o comércio agêntico já passou dos testes fechados para pilotos reais, em ritmo mais rápido que o da governança: padrões e proteções ao consumidor ainda não estão plenamente definidos, e há transações correndo fora de qualquer protocolo formal.
Em outra frente, o Let’s Money mostrou neste mês que Visa, Mastercard e Ant miram identidade de agentes de IA.








