Dois em cada três executivos de empresas brasileiras concordam que colaboradores podem estar usando ferramentas públicas de inteligência artificial generativa para fins profissionais sem o aval da organização. O índice é de 66%, segundo estudo da Peers Consulting + Technology em parceria com o TEC.Institute, publicado pela MIT Technology Review Brasil e divulgado em 23 de setembro de 2026. É a mesma pesquisa que já havia mostrado que só 40,7% das empresas têm retorno com IA generativa.
O fenômeno tem nome: Shadow AI, o uso de ferramentas de IA por funcionários sem autorização ou acompanhamento da empresa. O dado que mais chama atenção é que nem as políticas mais rígidas resolvem o problema. Entre as organizações que já adotam regras duras, treinamento obrigatório e ferramentas homologadas, 64% dos executivos ainda relatam possível uso não autorizado.
Quem vê possível uso de IA sem aval
| Recorte | Executivos que apontam possível uso |
|---|---|
| Total de executivos | 66% |
| Empresas sem regras claras de segurança | 75% |
| Empresas com políticas rígidas | 64% |
| Meios de pagamento | 100% (10 respondentes) |
Base: 138 participantes de empresas de 12 setores (120 respondentes na etapa quantitativa e 18 entrevistas). Fonte: Peers Consulting + Technology
Regras mais duras reduzem pouco o Shadow AI
O estudo cruzou a percepção dos executivos com o nível de maturidade das políticas internas para uso de IA. Nas empresas que operam de forma descentralizada, sem regras claras de segurança, 75% dos executivos apontam possível uso não autorizado. O índice recua para 70% entre as que possuem diretrizes básicas e fiscalização insatisfatória, e para 66% nas organizações que ainda estão criando suas políticas. No grupo com o controle mais elevado, fica em 64%.
Para Bruno Horta, diretor executivo da Peers, a distância entre os extremos é pequena. “Na prática, a diferença entre as organizações sem regras claras e aquelas com o nível mais elevado de controle é de apenas 11 pontos percentuais. Esse dado desafia a lógica de que regras mais duras eliminam o problema […] passar de nenhuma política para uma política rígida ajuda a reduzir, mas não elimina o comportamento”, afirma.







