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Inteligência ArtificialIA · Agentes de IA

Bank of America prevê dobrar orçamento de IA em 2027

Segundo o CEO Brian Moynihan, cerca de 140 usos de IA custaram US$ 400 mi e geraram benefício de US$ 800 mi; quadro caiu a 209 mil, sem demissões, diz ele.

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Jonathan Weiss / Shutterstock.com

O Bank of America prevê dobrar em 2027 o orçamento de despesas com inteligência artificial, segundo o CEO Brian Moynihan, em fala feita na semana passada numa conferência do Barclays e relatada pelo Banking Dive. Ele também deu números aos projetos já em produção: cerca de 140 usos de IA foram implantados “a um custo de US$ 400 milhões, gerando um benefício de US$ 800 milhões” (em tradução livre).

A conta de IA do Bank of America, segundo os executivos

Indicador Valor declarado
Orçamento de despesas com IA no ano que vem Previsão de dobrar
Usos de IA implantados Cerca de 140
Custo desses usos US$ 400 milhões
Benefício gerado US$ 800 milhões
Novas iniciativas de tecnologia (IA incluída) Cerca de US$ 4 bilhões por ano
Desenvolvedores com agentes de programação 20 mil, com ganho de 15% a 20%
Funcionários De cerca de 213 mil no início do ano para 209 mil

Declarações de executivos do Bank of America. Fonte: Banking Dive

Onde o banco diz enxergar retorno

Levantamento da Accenture citado pelo Banking Dive indica que só 20% dos líderes de bancos percebem valor amplo e sustentado nas iniciativas de IA. A dúvida já rondava o setor antes: em março de 2026, o Let’s Money mostrou bancos de Wall Street que ainda não medem o retorno da IA.

No BofA, o ganho mais fácil de quantificar aparece nas equipes de tecnologia, segundo Jim DeMare, copresidente do banco, que falou na quarta-feira (23) em conferência da BofA Securities. Os 20 mil desenvolvedores de software da instituição trabalham com agentes de programação, e a produtividade na escrita de código subiu entre 15% e 20%, faixa que, pela leitura do executivo, se repete na maioria dos setores. Ele cita ainda a queda nos chamados à central de ajuda interna com o autoatendimento pela Erica, assistente virtual que, segundo o banco, faz o trabalho de cerca de 11 mil pessoas.

Uma derivação interna, o EricaAssist, chegou ao atendimento telefônico quando o banco pôs IA para guiar atendentes durante as ligações.

Ideias de funcionários puxam o orçamento

Hari Gopalkrishnan, diretor de tecnologia e informação (chief technology and information officer) do Bank of America, explica que o banco coleta sugestões dos funcionários sobre onde a IA facilitaria o trabalho e usa o retorno sobre o investimento como critério de triagem. Pela conta dele, o interesse em investir em IA já passa do dobro do ano passado. “Provavelmente vamos acabar gastando no ano que vem o dobro do que gastamos neste ano, porque são simplesmente ideias boas e ricas que agora começam a gerar retorno sobre o investimento para nós” (em tradução livre), disse ele em entrevista nesta semana.

A IA disputa espaço dentro de um envelope de cerca de US$ 4 bilhões anuais reservado a novos projetos de tecnologia, cifra que já aparecia quando o Let’s Money detalhou as patentes de IA e o gasto em tecnologia do BofA. Perto de 95% dos funcionários têm acesso a ferramentas de IA, segundo DeMare.

Moynihan disse que o banco, com US$ 3,5 trilhões em ativos, saiu de cerca de 213 mil funcionários no início do ano para 209 mil, com rotatividade perto de 8,5%. “Não estamos demitindo ninguém. Não precisamos fazer isso. Tudo o que fazemos é administrar as contratações com cuidado” (em tradução livre), afirmou. O próximo tema na mesa de Gopalkrishnan é quanta autonomia dar aos agentes de IA. “Não vamos fazer nada até que tenhamos as salvaguardas apropriadas” (em tradução livre), disse.

O que observar

A relação entre benefício e custo é autodeclarada, e o relato não detalha como o benefício é calculado. Vale acompanhar se grandes bancos passam a publicar a metodologia de retorno junto com os orçamentos de IA. Outra pergunta é o ritmo da autonomia dos agentes: instituições que condicionam o avanço a salvaguardas e à checagem humana das respostas tendem a automatizar mais devagar. E reduzir quadro apenas controlando contratações depende de uma rotatividade alta o bastante para absorver o ganho de produtividade.

Fontes: Banking DiveBank of AmericaLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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