A Footprint, empresa dos EUA que vende a bancos e fintechs sistemas de inteligência artificial para compliance contra crimes financeiros, captou US$ 25 milhões numa rodada série B liderada pela QED Investors. Segundo o comunicado da empresa, o dinheiro vai dobrar os times de engenharia e de vendas.
A série B da Footprint
| Item |
Detalhe |
| Valor |
US$ 25 milhões |
| Líder |
QED Investors |
| Novos participantes |
MUFG; Commerce Ventures; LightBank; Alumni Ventures |
| Investidores que seguiram |
Index Ventures; Lerer Hippeau; BoxGroup; Operator Partners; Animal Capital |
| Destino declarado |
Dobrar engenharia e vendas, avançar Percy e Trust Fabric, novo escritório em San Francisco |
Comunicado da Footprint sobre a rodada série B. Fonte: Finextra
O que o Percy promete fazer
O produto central é o Percy, que a Footprint apresenta como o primeiro sistema operacional de IA do mundo feito de ponta a ponta para compliance de crimes financeiros; o pioneirismo é declarado pela própria empresa. Na descrição da companhia, o agente assume o papel de um analista experiente: abre cada caso, levanta os achados e segue os procedimentos padrão da instituição. Os pedidos são feitos em inglês comum, sem código, e cada investigação fica registrada com citações, horários e trilha de auditoria etapa por etapa para os reguladores.
Por baixo dele fica o Trust Fabric, camada que cruza sinais de clientes e casos diferentes. Um precedente aberto numa apuração passa a valer em KYC, sanções e monitoramento, o que, segundo a empresa, ajuda a achar redes de fraude e fraudadores recorrentes que poderiam passar despercebidos por analistas humanos. A mesma camada confere se os agentes cumprem a política interna e usam as evidências de forma correta.
Clientes e ganhos declarados
No texto publicado no blog da empresa em 16 de setembro, o CEO e cofundador Eli Wachs dá exemplos de tempo: um alerta de lista de restrição que tomava 30 minutos de um analista passou a ser resolvido em menos de um minuto, e uma diligência reforçada de três horas caiu para menos de 15 minutos, reunindo 35% mais evidências. Os números são da empresa, sem detalhe de amostra.
Pelo comunicado, a tecnologia já roda nas equipes de compliance de bancos supervisionados pela FDIC e pelo OCC, reguladores bancários federais dos EUA, e de fintechs como Bilt, Nuvei e MoonPay. A plataforma chega integrada a centenas de bases de dados e fornecedores, entre eles LexisNexis e ComplyAdvantage, para que o Percy confira os achados em fontes confiáveis.
“Com esta rodada, estamos dobrando a aposta na tese de que as operações de risco serão repensadas para a era nativa da IA”, disse Eli Wachs, CEO e cofundador da Footprint (em tradução livre). Ele completou: “À medida que a IA amplia o volume de crimes financeiros na economia global, estamos construindo o sistema de defesa agêntico capaz de crescer para enfrentá-lo e derrotá-lo”.
O segmento tem atraído novos fornecedores. Nesta semana, o Let’s Money mostrou que os fundadores da Tink, vendida à Visa, criaram uma IA de compliance.
Entre processadoras de pagamento, a dLocal usa IA da Oscilar no compliance de pagamentos.
O que observar
Fornecedores de IA para compliance passaram a prometer a investigação de todos os casos, em vez da triagem de quais serão olhados. A pergunta passa a ser quanto um banco consegue delegar a um agente numa área sujeita a exame regulatório, em que a responsabilidade segue com a instituição. A trilha de auditoria completa é o argumento do setor para esse ponto, e vale acompanhar se examinadores bancários aceitam esse registro como evidência suficiente.
A outra questão é a medição. Os ganhos de tempo divulgados até aqui são dos próprios fornecedores, sem base de comparação pública. Com três em cada quatro bancos querendo IA contra crimes financeiros, o teste para bancos médios e fintechs será comprovar esses números em auditorias independentes.
Fontes: Finextra • Footprint • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money