O Banco da Inglaterra deu à ClearToken CSD, empresa londrina de infraestrutura pós-negociação, o aval para operar uma depositária de títulos digitais no seu sandbox regulatório, segundo comunicado da companhia de 22 de setembro de 2026. A etapa, chamada Gate 2, permite emitir e liquidar versões tokenizadas de papéis que já existem, em operação real, mas sob tetos de custódia.
O que o Gate 2 libera para a ClearToken CSD
| Item | Condição |
|---|---|
| Regime | Sandbox (Gate 2), atividade ao vivo sob supervisão do banco central e com limites |
| Ativos no lançamento | Ações do FTSE 350, dívida pública em libras, títulos corporativos em libras e em outras moedas |
| Teto em gilts | £600 milhões sob custódia |
| Teto em corporativos em libras | £900 milhões sob custódia |
| Teto em corporativos em outras moedas | £1,8 bilhão sob custódia |
| Teto em ações | Ainda a confirmar |
| Fundos privados, ouro, ativos digitais | Dependem de nova aprovação |
Termos da aprovação descritos pela empresa. Fonte: ClearToken
Um sandbox com operação real e prazo para acabar
O ambiente em questão é o Digital Securities Sandbox, que o banco central britânico opera junto com a FCA, a autoridade de conduta do Reino Unido. Durante a vigência do programa, vale um regime jurídico modificado, com regras flexíveis editadas pelo próprio banco central. Segundo o banco central, o sandbox termina em 8 de janeiro de 2029, prazo que o Tesouro britânico pode estender por lei.
A ClearToken já estava dentro do programa desde a primeira etapa, o Gate 1, que segundo a empresa não dava permissão para operar ao vivo. Com a segunda etapa, a depositária pode custodiar e liquidar papéis reais. Pelo desenho descrito no comunicado, a versão digital de cada ativo usa o mesmo ISIN da tradicional, para não partir a liquidez em dois mercados.
O argumento comercial é o repo intradiário 24/7: tomar dinheiro dando papéis em garantia por algumas horas, e não por dias, sem depender do processamento em lote do fim do expediente. “O maior obstáculo para a adoção institucional de títulos digitais não foi necessariamente a tecnologia; foi saber se a infraestrutura em torno dessa tecnologia é suficientemente regulada, robusta e legalmente reconhecida”, disse Ben Santos-Stephens, CEO do ClearToken Group.








