A CellPoint, empresa de tecnologia de pagamentos que atende companhias aéreas e hotéis, anunciou em 22 de setembro um investimento de US$ 34 milhões da Toscafund, nova equipe de liderança e a Zenith, uma plataforma de inteligência artificial que decide sobre pagamentos a partir de uma camada instalada acima dos orquestradores que esses clientes já usam.
O que a CellPoint anunciou
Item
Detalhe
Investimento
US$ 34 milhões da Toscafund, administrado pela Penta Capital
CEO do grupo (Group CEO)
Kevin Murphy
Presidente do conselho (Chairman)
Michael Kelly
Produto e tecnologia
Patrick Uckermark, Chief Product and Technology Officer
Contratações
50 novas vagas na Europa, nas Américas e na Ásia
Produto
Zenith, camada de decisão com IA sobre orquestradores próprios ou de terceiros
As nomeações partiram da Penta Capital, gestora de private equity ligada à Toscafund e responsável por administrar o investimento. Kevin Murphy chega como CEO do grupo (Group CEO) e Michael Kelly, como presidente do conselho (Chairman). Pelo comunicado, a dupla recebeu a tarefa de transformar a empresa e montar uma operação de pagamentos centrada em IA para dois setores, aviação e hotelaria, nos quais os pagamentos afetam diretamente margem, receita e resiliência.
O texto não diz se o dinheiro entra como participação acionária, dívida ou uma combinação das duas, nem informa avaliação da empresa. Além da Zenith, o cheque banca 50 novas vagas em produto, dados, IA, vendas e parcerias, distribuídas por Europa, Américas e Ásia. Patrick Uckermark, que havia entrado como Chief Technology Officer, aparece agora como Chief Product and Technology Officer, à frente do roteiro de IA e dados.
“Os pagamentos são uma das maiores linhas controláveis de custo e de receita no resultado de uma companhia aérea ou de um hotel, e uma das menos bem administradas”, disse Kevin Murphy, Group CEO da CellPoint.
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Uma camada de decisão acima do orquestrador
A proposta da Zenith é não disputar o lugar do orquestrador, o software que distribui cada transação entre adquirentes e meios de pagamento. Ela se apoia sobre ele, seja o da própria CellPoint ou o de um concorrente, e converte os dados de pagamento em decisões comerciais tomadas de forma automática. Segundo a empresa, companhias aéreas e hotéis podem usar a ferramenta mantendo a infraestrutura atual.
Murphy promete aprovação maior de transações, custo menor, recuperação de receita perdida e visão em tempo real para o diretor financeiro, ganhos que o comunicado não quantifica. “O investimento de US$ 34 milhões nos permite construí-la em ritmo acelerado”, afirmou o executivo, sobre a plataforma.
Fora dos pagamentos, a automação de decisões com IA também recebe cheques grandes: o Goldman Sachs liderou aporte na Taktile, fintech alemã que automatiza decisões de crédito e seguros.
No Brasil, a CellPoint Digital já implementou Apple Pay, Google Pay e Mercado Pago para a GOL Linhas Aéreas, segundo comunicado da própria empresa.
“Apoiamos a equipe e o plano. […] Nossos US$ 34 milhões refletem nossa confiança nesse resultado”, disse Steven Scott, sócio-diretor (Managing Partner) da Penta Capital.
O que observar
A primeira pergunta é de neutralidade. Uma camada de decisão vendida por quem também oferece orquestração precisa convencer companhias aéreas e redes hoteleiras de que trata bem as transações roteadas por fornecedores rivais. Vale acompanhar se os primeiros contratos virão da base que já usa o orquestrador da casa ou de operadores ligados a outro fornecedor.
A segunda é de prova. Ganho de aprovação e corte de custo são promessas comuns entre plataformas de pagamento com IA, e o teste será a divulgação de números por clientes nomeados. Resta saber também como gestoras de private equity que investem em empresas de tecnologia vão medir retorno num produto ainda em construção.