O JPMorgan Chase começou na sexta-feira (25) a implantar, em etapas, uma central no aplicativo do Chase, seu banco de varejo nos EUA, onde o correntista vê quais apps de terceiros estão ligados à conta e pode limitar ou encerrar cada ligação. A novidade, noticiada pelo Valor a partir da Bloomberg, é mais um lance na briga do banco com fintechs pelo acesso a dados de correntistas.
O que o cliente do Chase controla na nova central
Função
Na prática
Apps conectados
Lista de quais aplicativos estão ligados às contas no Chase
Atividade
Informações sobre o que é compartilhado e sobre a atividade de cada app conectado
Prazo de acesso
Ajuste de por quanto tempo um app pode ler os dados
Contas vinculadas
Escolha de quais contas elegíveis ficam ligadas a cada app
Desconexão
Opção de desfazer a conexão, quando aplicável
Educação
Conteúdo em linguagem simples e perguntas frequentes sobre dados com terceiros
Funções listadas no comunicado do banco; implantação gradual. Fonte: Chase
Controles que já existiam, agora reunidos
Batizada de Data Security Center, a central junta num único lugar ferramentas de vínculo de contas que, em parte, o aplicativo já oferecia, segundo o comunicado do Chase. O banco atende mais de 87 milhões de consumidores, pela própria descrição institucional.
Pessoas a par da mudança, ouvidas sob anonimato pela Bloomberg, disseram que o correntista passará a ver com mais destaque quais contas alimentam cada app, se quer interromper a ligação e se ela vale por seis meses, um ano ou sem prazo. Segundo uma delas, as opções ficarão na tela inicial, e nenhuma conexão já ativa cai sem decisão do próprio cliente.
“Os clientes devem estar no controle de seus dados financeiros, e isso começa por dar a eles uma visão clara de para onde esses dados vão e ferramentas simples para administrá-los”, disse Melissa Feldsher, chefe de pagamentos, confiança e segurança e open banking (Head of Payments, Trust & Security and Open Banking) do Chase, em comunicado.
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Fintechs veem atrito, e a regra federal segue parada
Associações de fintechs tratam os avisos como nova tentativa de frear a concorrência, relatou a Bloomberg. “Os bancos de Wall Street deveriam conquistar clientes com produtos melhores, e não dificultando o uso do produto de qualquer outro ou cobrando tarifas de acesso a dados”, disse Penny Lee, presidente e CEO da Financial Technology Association (FTA), em nota à agência. Para ela, estimular o consumidor a desligar conexões que ele próprio autorizou só acrescenta atrito. A entidade já tinha feito campanha em defesa do open banking nos EUA.
Em outubro de 2024, o CFPB, órgão federal de proteção ao consumidor financeiro dos EUA, publicou regra final que obrigaria bancos a permitir, sem cobrança, a conexão de contas de depósito e de cartão de crédito a fintechs, segundo a Bloomberg. Com a troca de governo, a norma nunca produziu efeito, de acordo com a agência. Associações de bancos foram à Justiça no próprio dia da publicação, e a gestão Trump chegou a pedir a um juiz federal que a anulasse. Uma nova proposta do CFPB para bancos, fintechs e demais terceiros está em análise na Casa Branca, relatou a Bloomberg.
Há mais de um ano, o JPMorgan avisou agregadores de dados que passaria a cobrar pelo acesso às informações de clientes, segundo a agência, e depois acertou acordos com agregadores, entre eles a Plaid, que fechou novo acordo com o banco em setembro de 2025. Num post de blog em agosto, citado pela Bloomberg, Feldsher disse que os acordos alcançam “100% dos agregadores de dados que acessam dados por meio dos nossos canais seguros”.
O que observar
O efeito tende a aparecer primeiro nos serviços que dependem de conexão contínua com a conta bancária: carteiras de pagamento entre pessoas, plataformas de cripto e apps de investimento. A pergunta prática é se a exibição dos prazos na tela inicial vai reduzir o número de conexões ativas, e se haverá uma duração sugerida quando o cliente renovar ou criar uma ligação.
No campo regulatório, vale acompanhar se a proposta em análise na Casa Branca vai tratar da forma como bancos apresentam o consentimento, além de tarifas. Se ela silenciar sobre isso, a dúvida é se o desenho da tela de cada banco vira o novo terreno da disputa entre grandes bancos americanos e agregadores.