Falha em pagamento custa milhões a instituições financeiras
Estudo da LexisNexis Risk Solutions com 150 executivos mostra que três quartos das instituições perdem até US$ 5 mi por ano com pagamentos malsucedidos.
Três quartos das instituições financeiras perdem até US$ 5 milhões por ano em receita de clientes por causa de pagamentos malsucedidos. O dado está no estudo True Impact of Failed Payments 2026, da LexisNexis Risk Solutions, divulgado nesta segunda-feira (26), em Atlanta, nos EUA, onde a empresa tem sede.
O levantamento ouviu 150 executivos de pagamentos de instituições financeiras da América do Norte, Europa, Oriente Médio e região Ásia-Pacífico (APAC).
Tarifa não cobre o custo da falha
O estudo também constatou que 37% das instituições financeiras (IFs) incorrem em custos superiores a US$ 20 por pagamento malsucedido ou atrasado. Essas perdas não são recuperadas integralmente por meio de tarifas, que costumam ficar entre US$ 11 e US$ 15 por transação malsucedida.
Muitas falhas nascem de problemas básicos de dados. Informações incorretas do beneficiário respondem por 21% das falhas, enquanto problemas com o número da conta e dados bancários incorretos causam, cada um, cerca de 15%.
“Os pagamentos malsucedidos são um foco importante de eficiência para as instituições financeiras que buscam impulsionar o processamento direto e ampliar a adoção do padrão de mensagens ISO 20022 em seus sistemas”, diz Vijay Nagarajan, diretor de eficiência de pagamentos da LexisNexis Risk Solutions. “Eles causam perdas financeiras, atrito para os clientes e retrabalho operacional. O lado positivo é que muitos deles podem ser evitados. […]”
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Espaço para melhorar o STP
A pesquisa aponta um espaço considerável para melhorias no processamento direto (straight-through processing, ou STP), medida central da eficiência dos pagamentos, sobretudo nas transações internacionais. Apenas 2% das IFs relatam STP próximo de 100% nos pagamentos internacionais, e só 9% alcançam taxa de STP superior a 95%. Quatro em cada cinco IFs não estão satisfeitas com as taxas atuais, e 1 em cada 10 pagamentos internacionais falha na primeira tentativa.
Só 2% das instituições chegam perto de 100% de processamento direto
Respostas de executivos de pagamentos de instituições financeiras sobre pagamentos internacionais
STP: straight-through processing, ou processamento direto. Fonte: estudo True Impact of Failed Payments 2026, da LexisNexis Risk Solutions (26/10/2026). Arte: Let’s Money.
O impacto cresce rápido. Uma IF típica do estudo processa cerca de 10.000 pagamentos internacionais por dia. Com STP de 95%, 500 pagamentos ainda exigiriam intervenção todos os dias. Ao custo médio de US$ 12,10, isso poderia representar mais de US$ 6.000 por dia, ou aproximadamente US$ 2,2 milhões por ano, em custos diretos.
O cliente também sente: um terço das IFs relata perder entre 2% e 5% dos clientes por causa de pagamentos malsucedidos, e 90% afirmam que altas taxas de STP têm impacto positivo na retenção. Entre as IFs que implementaram soluções de validação de dados de pagamentos, duas em cada cinco relatam melhorias superiores a 25% no STP.
“Nossa pesquisa mostra que muitas falhas estão, na verdade, relacionadas a problemas identificáveis nos dados de pagamento, incluindo informações do beneficiário, números de conta e dados bancários”, diz Robin LoGiudice, Consultor Estratégico da Datos Insights.
Diferenças entre regiões
O desempenho varia bastante por região. A Europa tem o resultado mais forte, com 92% das instituições relatando taxas de falha ou atraso inferiores a 5%, seguida pela APAC, com 77%, e pela América do Norte, com 69%. No Oriente Médio, cerca de duas em cada cinco IFs relatam o mesmo, assim como um quarto (26%) na América Latina e 19% na África.
LexisNexis Risk Solutions · falhas de pagamento por região
Na América Latina, 26% das instituições relatam falha ou atraso abaixo de 5%
% de instituições financeiras que relatam taxa de falha ou atraso de pagamentos inferior a 5%, por região
No Oriente Médio, cerca de duas em cada cinco instituições relatam o mesmo. Fonte: estudo True Impact of Failed Payments 2026, da LexisNexis Risk Solutions (26/10/2026). Arte: Let’s Money.
“Infraestruturas bancárias fragmentadas, bancos correspondentes, requisitos adicionais de compliance e dados de pagamento inconsistentes podem criar atritos adicionais, especialmente em mercados menos padronizados”, explica Nagarajan. Para ele, “os dados estruturados possibilitados pelo padrão ISO 20022 representam um passo em direção ao objetivo de uma experiência de pagamento rápida e sem atritos”.
O que observar
Os números interessam a bancos, instituições de pagamento e áreas de câmbio que enviam dinheiro para fora. O foco do estudo está na qualidade do dado do beneficiário e na validação antes do envio. Vale acompanhar como a migração das mensagens de pagamentos internacionais para o ISO 20022 mexe com essas taxas de falha.