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PesquisaFintech · apps bancários

71% dos brasileiros usam apps bancários, mas poucos controlam gastos

Pesquisa IBGE mostra que 71,2% dos brasileiros com internet usam apps de banco. Conveniência digital, porém, não se traduz em controle financeiro.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de micheile henderson na Unsplash

Sete em cada dez brasileiros com acesso à internet já usam aplicativos bancários, segundo dados da Pnad TIC do IBGE referentes a 2024. O número, de 71,2%, confirma a massificação do mobile banking no pais e coloca o Brasil acima da média global e da América do Norte (61%), embora ainda abaixo de lideres europeus como Noruega, Dinamarca e Suécia (acima de 87%). O paradoxo é que a conveniência digital não se traduziu em controle financeiro efetivo para a maioria dos usuários.

A escala da digitalização bancária

MOBILE BANKING NO BRASIL E NO MUNDO
71,2% Brasil
76% Europa (média)
61% América do Norte
Base: brasileiros com acesso à internet | Fonte: Pnad TIC/IBGE 2024 e CoinLaw/Statista
2,17 bilhões de pessoas usam mobile banking globalmente (+35% desde 2020). China lidera em volume absoluto com 940 milhões de usuários.

Os dados da Febraban reforçam o patamar de maturidade. Em 2024, 82% das transações bancárias no Brasil foram feitas por canais digitais, com o mobile respondendo por 75% do total. São 155 bilhões de transações via celular, 20 bilhões a mais que em 2023. Mais de 90% das transações de pessoa fisica já ocorrem por plataformas móveis. O Pix cresceu 41% no canal mobile, chegando a quase 25 bilhões de operações, com mais de 65 milhões de heavy users.

O setor bancário investirá R$ 47,8 bilhões em tecnologia em 2025, alta de 13%, segundo pesquisa da Febraban com 20 bancos que representam 85% dos ativos do setor. O total de transações bancárias no pais alcançou 208,2 bilhões em 2024.

O paradoxo da conveniência sem controle

Pix, transferências e pagamento de contas via celular já são comportamento padrão. Porém, a facilidade de realizar transações com poucos toques pode ter um efeito colateral: gastos fragmentados em aplicativos de transporte, assinaturas e delivery passam despercebidos quando não há rastreamento ativo.

O fenômeno é conhecido no mercado como micro-spending invisivel. Cada transação individual parece pequena, mas o acumulado mensal pode representar parcela significativa do orçamento. Sem ferramentas de categorização e alerta, o app bancário funciona mais como canal de pagamento do que como instrumento de gestão financeira.

A lacuna entre adoção e controle representa uma oportunidade para fintechs de gestão financeira pessoal (PFM). Aplicativos como Mobills e Organizze, além de funcionalidades de orçamento dentro de neobanks como Nubank e C6, tentam preencher esse espaço. O Open Finance, ao permitir consolidação de dados de múltiplas contas, é a infraestrutura que pode tornar essa visão integrada viável em escala. A PilotIn, por exemplo, já combina dados do Open Finance com IA para personalizar ofertas de crédito.

O que observar

A pergunta para o setor é se o controle financeiro se torna feature nativa dos bancos digitais ou se permanece como nicho de aplicativos especializados. Se PicPay, Nubank e Inter incorporarem ferramentas de orçamento realmente eficazes, os apps independentes de PFM perdem relevância. Se não incorporarem, a oportunidade permanece aberta.

Vale acompanhar também como o avanço do Open Finance afeta esse cenário. A capacidade de agregar dados de todas as contas de um usuário em um único painel é o requisito técnico para que o controle financeiro funcione de verdade. Com 70 milhões de contas já conectadas e 111 milhões de consentimentos ativos, a infraestrutura existe. O gargalo está na experiência do usuário final.

Fontes:

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