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Serasa: busca por crédito sobe 17,1% em 12 meses até julho

A busca por crédito subiu 17,1% em 12 meses até julho pelo indicador da Serasa Experian, puxada pela faixa de 1 a 2 salários mínimos, que avançou 38,8%.

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· 3 min

Foto: Reprodução

Os brasileiros recorreram mais ao crédito no último ano. A procura registrada pelo índice de demanda por crédito da Serasa Experian subiu 17,1% na leitura de 12 meses fechada em julho. O avanço veio concentrado nas famílias de renda mais baixa, e o índice capta a intenção de tomar crédito, sem medir a contratação efetiva.

O recorte por renda expõe onde a pressão é maior. Quem ganha entre um e dois salários mínimos puxou o movimento, com alta de 38,8% no período. Na faixa de até um salário mínimo, o crescimento foi de 16,7%, e no grupo de cinco a dez salários, de 14,8%. Só a renda intermediária, de dois a cinco salários, ficou no vermelho, com recuo de 0,6%.

Demanda por crédito por faixa de renda (12 meses até julho)

Faixa de renda Variação
Média geral +17,1%
De 1 a 2 salários mínimos +38,8%
Até 1 salário mínimo +16,7%
De 5 a 10 salários mínimos +14,8%
De 2 a 5 salários mínimos -0,6%

Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito, acumulado de 12 meses até julho. Fonte: Serasa Experian

Orçamento comprometido puxa a busca por crédito

Para a datatech, esse desenho reflete um cenário de aperto no bolso. O estudo calcula que cada brasileiro carrega, na média, 74,6% do que ganha já preso ao básico do mês, ao cartão e às parcelas em aberto. No estrato de renda mais baixa, o aperto se agrava: o índice marca 87,8% em uma faixa e 87,0% na outra, sem deixar praticamente margem para um imprevisto.

“Mesmo com o crédito mais caro e seletivo, a necessidade de acesso a recursos continua elevada entre essas famílias”, afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian. A economista liga o quadro aos números de dívida do país: pelos dados do Banco Central citados no estudo, a fatia da renda mensal destinada a quitar dívidas ronda 29%, e o endividamento total beira os 50% da renda somada em um ano. A leitura conversa com o alerta recente da própria datatech de que ainda é cedo para cravar que a inadimplência passou do pior momento.

Mato Grosso lidera e capitais crescem menos

No mapa estadual, a procura subiu em todas as unidades da federação no acumulado de um ano. Mato Grosso encabeçou o ranking, com 36,7%, à frente do Acre, que avançou 26,5%, e do Amapá, com 25,6%. Na ponta oposta, o menor apetite apareceu no Distrito Federal, com 11,3%, seguido por São Paulo, a 12,8%, e pelo Rio de Janeiro, a 13,3%, justamente três praças de renda média mais alta.

Intenção, não contratação

Convém separar o que o número mostra do que ele não mostra. O indicador nasce de uma amostra de CPFs consultados mês a mês quando alguém pede crédito, com a média de 2024 servindo de base 100. Ou seja, ele mede o apetite por tomar dinheiro emprestado, sem assegurar que o empréstimo saiu do papel. Mais gente procurando não significa mais gente aprovada.

O que observar

A pergunta que fica é quanto dessa procura vira crédito de fato, num ambiente em que a concessão segue mais seletiva e cara. Se o apetite cresce sobretudo entre quem já entrega quase toda a renda a contas e dívidas, o teste será acompanhar se isso vira fôlego para o orçamento ou apenas rolagem de dívida. Vale monitorar ainda se o fosso entre as faixas de renda continua se alargando nas próximas leituras do índice.

Fontes: Serasa Experian: indicador de demanda do consumidor por créditoLet’s Money: Serasa diz que é cedo para dizer que inadimplência chegou ao piorLet’s Money: TransUnion aponta valorização e acesso desigual ao crédito

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