ABC Brasil tem lucro recorrente 6,6% acima do 3º tri de 2025
Carteira de crédito expandida sobe 15,5% em 12 meses, a R$ 60,4 bi em setembro, ROAE fica em 15,0% e despesa de provisão cresce 22,9% sobre um ano antes.
O lucro líquido recorrente do banco ABC Brasil somou R$ 273,7 milhões no 3º trimestre de 2026, 6,6% acima dos R$ 256,8 milhões de julho a setembro de 2025 e 6,4% sobre abril a junho deste ano. A carteira expandida de crédito subiu 15,5% em 12 meses, a R$ 60,4 bi em setembro, e a despesa trimestral de provisão teve alta anual de 22,9%.
O retorno anualizado sobre o patrimônio (ROAE) recorrente ficou em 15,0% de julho a setembro, ante 15,5% um ano antes e 14,3% de abril a junho. Em nove meses de 2026, o lucro recorrente, igual ao contábil, soma R$ 761,2 milhões, 4,8% a mais que em igual intervalo de 2025.
O lucro trimestral subiu pela segunda vez seguida, depois de R$ 230,2 milhões no 1º trimestre de 2026 e R$ 257,3 milhões no 2º; o resultado ainda fica abaixo do 4º trimestre de 2025 (R$ 275,5 milhões). Em abril de 2026, a meta declarada do banco era elevar o ROE em dois a três pontos percentuais no médio prazo.
ABC Brasil · lucro líquido recorrente por trimestre
Lucro sobe pelo segundo trimestre seguido e chega a R$ 273,7 mi
Lucro líquido recorrente, em R$ milhões, do 3º trimestre de 2025 ao 3º trimestre de 2026
A margem financeira gerencial de julho a setembro de 2026, de R$ 697,7 milhões, subiu 7,0% em um ano, puxada pela margem com mercado, que saiu de R$ 76,8 milhões um ano antes para R$ 117,5 milhões. Com clientes, o ganho foi de 3,8%, a R$ 407,5 milhões; o patrimônio remunerado a CDI recuou 5,5%, a R$ 172,7 milhões.
A receita de serviços de nove meses soma R$ 311,1 milhões, 4,6% menos que em igual intervalo de 2025. O índice de eficiência (despesas sobre receitas) ficou em 37,9% de julho a setembro de 2026, ante 41,2% três meses antes e 38,8% um ano antes.
Margem e carteira avançam nas duas comparações; provisão também
A despesa de provisão, de R$ 109,8 milhões de julho a setembro de 2026, já desconta as recuperações de crédito: R$ 3,5 milhões, frente a R$ 41,8 milhões três meses antes e R$ 44,7 milhões um ano antes. Sem esse desconto, foram R$ 113,3 milhões, recuo anual de 15,5%. Em setembro de 2026, junho de 2026 e setembro de 2025, os atrasos acima de 90 dias ficaram em 0,6% da carteira expandida.
Carteira cresce 10,3% em nove meses; faixa de 2026 vai até 10%
O Earnings Release de fevereiro de 2026, com os resultados de 2025, projeta alta de 6% a 10% da carteira expandida neste ano, faixa que o Valor também cita; o release de novembro não a menciona. Pela conta do Let’s Money, o saldo subiu 10,3% em nove meses, de R$ 54,742 bilhões (dezembro de 2025) a R$ 60,406 bilhões (setembro de 2026); a faixa vale para o ano inteiro. Em 12 meses, o segmento Corporate avançou 19,2%, o Middle 14,5% (projeção de 12% a 18% em 2026) e o Large Corporate 8,3%.
As faixas de despesas e eficiência também vêm só do release de fevereiro. Em despesas com pessoal, PLR e administrativas, a projeção de 2026 é de alta de 4% a 8%; nos nove meses, a alta foi de 9,3% sobre igual intervalo de 2025. Na eficiência, a faixa vai de 37,5% até 39,5%, com melhora gradual durante o ano; nos nove meses de 2026, o índice ficou em 40,2%.
O índice de Basileia fechou setembro de 2026 em 16,2%, com a emissão de R$ 600,9 milhões em letras financeiras perpétuas e subordinadas (AT1). O aumento de capital de R$ 169 milhões, homologado pelo Banco Central em outubro de 2026, soma 27 pontos-base em bases pro forma.
O que observar
A primeira pergunta é quanto do ganho anual de margem se repete: se a margem com mercado perder força, o peso volta para clientes e serviços, que cresceram menos em um ano. A segunda é a recuperação de crédito: o valor baixo do trimestre foi pontual, ou bancos voltados a empresas terão despesa líquida de provisão mais alta?
Com o saldo de setembro já 10,3% acima de dezembro de 2025, fica a dúvida sobre o fim do ano: desaceleração, fechamento acima da faixa ou revisão do intervalo. A conferência de resultados de 6 de novembro de 2026 é o próximo ponto para medir esse ritmo.