Comprometimento de renda com dívida sobe a 29%, maior do ano
Índice de Desconforto de Crédito do FGVcemif foi a 0,966 em agosto de 2026; versão para renda de até dois salários-mínimos avançou de 0,963 para 0,974.
Os brasileiros, sobretudo os de baixa renda, continuam com elevado nível de endividamento. É o que mostra o Índice de Desconforto de Crédito (IDC), desenvolvido pelo FGVcemif/FGV EAESP, que atingiu 0,966 em agosto de 2026, ante 0,963 em julho de 2026, permanecendo próximo do máximo histórico. O IDC Baixa Renda, que acompanha tomadores com renda de até dois salários-mínimos, avançou de 0,963 para 0,974 no mesmo período.
O IDC Geral registrou o quinto maior resultado entre as 152 observações válidas desde janeiro de 2014. O IDC Baixa Renda, estreante nesta edição, o sétimo maior entre as 136 desde maio de 2015. Os dois passam a ser divulgados periodicamente.
Renda comprometida no maior resultado do ano
O comprometimento de renda dos brasileiros com dívidas (C) aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 29% em agosto de 2026. Esse resultado é o maior do ano. A inadimplência também teve ligeira alta de 0,2 ponto percentual na mesma base comparativa, de 7,8% para 8%, novo máximo histórico.
A qualidade do crédito (Q), que mede a participação das modalidades de crédito mais caras no total de crédito livre, subiu de 24,4% para 24,5%, e seu valor normalizado passou de 0,888 para 0,898. O aumento de Q explicou a alta mensal do IDC Geral.
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Inadimplência e crédito caro pesam mais na baixa renda
Embora os dois índices apresentem comprometimento de renda semelhante por limitação dos dados disponíveis, o grupo de baixa renda registra níveis mais elevados de inadimplência e de participação do crédito oneroso, evidenciando sua maior vulnerabilidade financeira. O componente C é o mesmo porque o Banco Central não divulga o comprometimento de renda por faixa de renda.
Em agosto de 2026, esse grupo apresentou inadimplência de 10,82%, ante 8% no conjunto dos tomadores, e participação do crédito oneroso de 26,92%, ante 24,5%. Ante julho de 2026, a inadimplência do grupo avançou de 10,63% para o maior valor de sua série, e o crédito oneroso subiu de 26,50%.
IDC · agosto de 2026
Baixa renda tem mais atraso e mais crédito caro
Inadimplência e participação do crédito oneroso, em % do crédito livre de pessoa física
Os dados mostram também que os índices praticamente se mantiveram desde o lançamento do Novo Desenrola, em maio de 2026. O IDC Geral saiu de 0,983 em maio de 2026 para 0,966 em agosto de 2026. Após o primeiro programa, a redução dos dois índices foi mais pronunciada.
IDC Baixa Renda · fevereiro a agosto de 2026
Índice da baixa renda vai a 0,974, depois de bater 1,000 em maio de 2026
Escala de 0 a 1, em que 1 corresponde ao pior resultado do histórico observado
“O Novo Desenrola produziu um alívio menor do que o observado após o primeiro programa. Sem enfrentar as causas estruturais do superendividamento, corremos o risco de apenas enxugar gelo”, afirma Lauro Gonzalez, coordenador do FGVcemif.
Como o índice é construído
O IDC é construído a partir de três dimensões do mercado de crédito (comprometimento de renda, inadimplência e qualidade do crédito) e mede a posição relativa do desconforto de crédito ao longo da série histórica. Entre janeiro e maio de 2026, o indicador permaneceu muito próximo do limite superior da série, reforçando a gravidade do atual quadro de superendividamento das famílias brasileiras.
O que observar
Para quem acompanha o crédito às famílias, o ponto a seguir é a distância entre os dois índices, sobretudo na inadimplência e no crédito oneroso, os componentes em que a baixa renda se separa do conjunto dos tomadores. As próximas edições mostram se os indicadores continuam perto do máximo histórico.