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Lucro gerencial do Santander no 3º tri cai 28% em um ano

Santander Brasil tem lucro gerencial de R$ 2,885 bi no 3º tri, em linha com analistas; inadimplência vai a 3,4%, e a da pessoa física, a 5,5%.

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· 3 min

BalkansCat / Shutterstock.com

O Santander Brasil teve lucro gerencial de R$ 2,885 bilhões entre julho e setembro de 2026, queda de 28% em doze meses e de 4,3% sobre os três meses anteriores. A inadimplência da carteira subiu a 3,4%; na pessoa física, foi a 5,5%.

O número ficou colado à projeção de analistas ouvidos pelo Valor, de R$ 2,890 bilhões. “O ambiente macroeconômico segue exigindo disciplina, seletividade e foco na qualidade dos resultados”, afirmou Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil. “O próximo passo é uma recuperação gradual da rentabilidade”, completou o executivo.

O ROE sem ágio desceu a 11,9%, contra 12,5% de abril a junho de 2026 e 17,5% um ano antes. No balanço anterior, o lucro do Santander já tinha caído e frustrado analistas.

Pessoa física concentra a piora do crédito

Na pessoa física, a taxa de atraso bateu 5,5% ao final do trimestre; era 5,1% em junho de 2026 e 4,2% em setembro de 2025. Para a carteira toda, a taxa saiu de 2,8% para 3,4% em um ano, passando por 3,3% três meses antes. “No trimestre, o avanço refletiu a maior inadimplência em pessoa física, principalmente nos segmentos de baixa renda e agronegócio, diante de um cenário econômico ainda desafiador e de elevado endividamento, sendo parcialmente compensado pela melhora em PMEs”, diz o banco.

Santander Brasil · inadimplência de pessoas físicas

Pessoa física puxa a alta da inadimplência no Santander

Taxa de inadimplência da carteira de pessoas físicas no fim de cada período, em %

Gráfico de barras com a taxa de inadimplência da carteira de pessoas físicas do Santander Brasil: 4,2% no fim de setembro de 2025, 5,1% em junho de 2026 e 5,5% no fim de setembro de 2026.

Fonte: números do Santander Brasil citados pelo Valor (28/10/2026). Arte: Let’s Money.

Na carteira toda, os atrasos mais recentes, de 15 a 90 dias, deram sinal oposto: caíram para 3,2%, ante 3,3% três meses antes, embora sigam acima do patamar de um ano antes, de 3,1%. Na comparação anual, a PDD, reserva para perdas com devedores duvidosos, subiu 14,4%, a R$ 7,460 bilhões; contra o segundo trimestre, caiu 2,5%.

Empresas ganham espaço na carteira

Em doze meses, o saldo de crédito ampliado cresceu 4,7% (5,0% descontado o câmbio) e terminou o trimestre em R$ 721,264 bilhões, com avanço trimestral de 0,9%. O motor foram as grandes empresas: R$ 265,690 bilhões, mais 7,8% no ano e 4,3% no trimestre, “com destaque para comex, capital de giro e avais e fianças”, segundo o banco.

No sentido contrário, o saldo com pessoas físicas somou R$ 261,808 bi, com retração anual de 0,9% e trimestral de 0,6%. Ali, o banco encolheu o empréstimo com desconto em folha e o pessoal, reduções que descreve como “alinhadas à nossa estratégia” de diminuir a presença no varejo de massa; cartões e imobiliário, sobretudo na alta renda, compensaram parte da perda. A financeira, de financiamento ao consumo, terminou em R$ 97,147 bi: perdeu 3,6% em três meses porque o banco cedeu créditos a um FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios), mas ainda soma 9,1% de alta em doze meses.

A base de clientes do Santander chegou a 77,1 milhões em setembro, 6% acima de um ano antes.

O que observar

Entre os bancos de varejo, a pergunta é em quanto tempo a troca de crédito ao consumidor de baixa renda por empresas e alta renda aparece na taxa de atraso. Atrasos curtos em queda podem antecipar alívio no indicador mais longo, mas o endividamento das famílias segue elevado.

Vale acompanhar se a cessão de carteiras a FIDCs vira rotina entre grandes bancos para reduzir crédito ao consumo, e se a rentabilidade do setor volta a subir com menos crédito de massa nas carteiras.

Fontes: Valor • Let’s Money: lucro do Santander no 2º tri • Let’s Money: base de clientes do Santander

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