O lucro líquido contábil da Visa somou US$ 6 bi no período de julho a setembro, último trimestre do ano fiscal de 2026, com alta anual de 18%. A receita líquida cresceu 13%, chegando a US$ 12,1 bi, e o lucro ajustado por ação ficou em US$ 3,48, contra projeção de US$ 3,44 compilada pela FactSet, segundo o Estadão Conteúdo.
Para a receita, os analistas esperavam US$ 12,09 bilhões. Ainda assim, no pregão estendido de terça-feira (27), às 17h31 de Brasília, a ação da bandeira perdia 2,19%.
Visa · 4º trimestre fiscal de 2026
Lucro contábil da Visa cresceu mais que a receita e que os volumes no trimestre
Alta sobre o mesmo trimestre de 2025, em %, no trimestre encerrado em 30/09/2026 (volumes em dólar constante)
O lucro contábil de um ano antes carregava provisão maior para litígio. Fonte: Visa. Arte: Let’s Money.
Por que o lucro contábil subiu mais que o ajustado
No critério contábil (GAAP), o lucro de US$ 6 bilhões equivale a US$ 3,19 por ação, alta de 22% nesse indicador. No ajustado (non-GAAP), que exclui itens fora do resultado recorrente, o lucro chegou a US$ 6,6 bilhões, expansão de 13%, e o valor por ação subiu 17%.
Entre esses itens aparecem uma provisão de US$ 469 milhões para o processo sobre tarifas de intercâmbio conhecido como MDL (interchange multidistrict litigation) e US$ 282 milhões ligados à doação de investimentos à Fundação Visa (Visa Foundation), braço filantrópico da companhia. Doze meses antes, a provisão para esse processo e outras questões legais tinha sido de US$ 899 milhões, o que reduziu o lucro contábil daquele período e favorece a comparação agora.
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De onde veio a receita
Processamento de dados foi a maior linha do trimestre, com US$ 6,2 bilhões (+16%). Serviços somaram US$ 5,3 bilhões (+14%), transações internacionais, US$ 4,1 bilhões (+8%), e outras receitas, US$ 1,6 bilhão (+40%). Desse bolo saem os incentivos pagos a clientes, que subiram 21%, para US$ 5,1 bilhões.
A Visa atribui o avanço ao volume de pagamentos, ao volume transfronteiriço (cross-border) e à quantidade de operações na rede: foram 74,2 bilhões de transações processadas entre julho e setembro, 10% a mais que um ano antes. Em dólar constante, o volume de pagamentos cresceu 9% e o transfronteiriço total, 14%.
No ano fiscal, a receita líquida somou US$ 45,9 bilhões (+15%), com lucro contábil de US$ 23,5 bilhões (+17%) e ajustado de US$ 25,3 bilhões (+12%). “A Visa teve um ano marcante. Alcançamos uma receita líquida recorde de US$ 46 bilhões, um aumento de 15%, o crescimento mais forte em mais de 15 anos, excluindo a recuperação pós-pandemia e aquisições”, disse Ryan McInerney, CEO da Visa, na tradução publicada pelo Estadão Conteúdo.
Dividendo maior e compra pendente
O conselho elevou o dividendo trimestral em 16%, para US$ 0,780 por ação, pago em 1º de dezembro de 2026 a quem tiver ações em 10 de novembro. Somando recompras e dividendos, a companhia devolveu US$ 5,2 bilhões aos acionistas no trimestre e US$ 25,6 bilhões no ano fiscal.
O acordo para comprar a BioCatch, especializada em inteligência contra fraude, por US$ 2,4 bilhões, ainda depende de aprovações regulatórias; a conclusão é esperada até o fim do segundo trimestre fiscal de 2027. Ao olhar para 2027 em diante, McInerney apontou a confiança como o próximo vetor de crescimento da companhia.
O que observar
Os incentivos a clientes cresceram 21% no trimestre, acima dos 13% da receita líquida. Como esse valor sai da receita bruta, a pergunta para os próximos balanços das bandeiras de cartão é se o custo de manter emissores e parceiros na rede seguirá subindo mais rápido que o faturamento.
Também vale acompanhar se a aposta em antifraude vira receita própria das redes de pagamento, e quanto as provisões para o litígio sobre tarifas de intercâmbio, presentes neste trimestre e no mesmo período de 2025, continuarão separando o lucro contábil do ajustado.