Os serviços financeiros do PayPal, que reúnem empréstimos, compre agora, pague depois (BNPL) e cartões de crédito e débito, já respondem por mais de 20% da margem de transação em dólares da empresa e crescem a dois dígitos, mostra a carta ao investidor do terceiro trimestre de 2026. A empresa espera que esses serviços ganhem peso no crescimento da margem, e o presidente e CEO Enrique Lores disse que isso vale para PayPal, Venmo e Braintree.
“Hoje e no futuro, esses produtos oferecem uma economia atraente”, disse Lores na teleconferência, segundo a American Banker.
Cliente com cartão ou crédito rende mais
Pelos números da empresa, quem usa o cartão de débito do Venmo dentro e fora do ecossistema PayPal gera de 5 a 6 vezes mais receita média por conta do que quem usa o app só para transferências entre pessoas (P2P). No PayPal, clientes com cartão de débito, cartão de crédito ou BNPL geram de 3 a 5 vezes a receita média por conta de quem se limita ao botão de pagamento no checkout. Entre lojistas, os que tomam empréstimo empresarial ou de capital de giro têm retenção 15% maior.
PayPal · clientes que usam serviços financeiros
Quem usa cartão, BNPL ou empréstimo rende mais ao PayPal
Receita média por conta e retenção, em relação a quem não usa esses produtos
Lores contou que o PayPal planeja levar os serviços financeiros a outras regiões e lançar novos produtos, entre eles um cartão que vai permitir pagar com BNPL em lojas físicas.
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O trimestre em números
Na virada que comanda, Lores trata a margem de transação como a “estrela-guia” do PayPal. No trimestre encerrado em 30 de setembro, ela subiu 2%, para US$ 4,0 bilhões, segundo o balanço.
PayPal · terceiro trimestre de 2026
Margem sobe 2%; lucro operacional contábil recua
Indicador
Valor
Variação anual
Receita líquida
US$ 8,6 bilhões
+2%
Margem de transação em dólares (não-GAAP)
US$ 4,0 bilhões
+2%
Lucro operacional não-GAAP
US$ 1,6 bilhão
+3%
Lucro operacional GAAP
US$ 1,4 bilhão
-8%
Resultado do terceiro trimestre de 2026. Fonte: PayPal
Ex-CEO da HP, Lores assumiu o PayPal em março de 2026 e busca cortar custos e reforçar o checkout com a marca. A empresa se diz no caminho de chegar a mais de US$ 700 milhões de economia anualizada até o fim de 2026 e a pelo menos US$ 1,5 bilhão em dois a três anos. A American Banker lista entre as alavancas mais uso de IA, consolidação de fornecedores, mais de 2 mil cortes de vagas e redução de 25% nos cargos de gestão.
“Estamos muito animados com os resultados que estamos vendo, mas é cedo, e temos mais trabalho a fazer”, disse Jamie Miller, Chief Financial and Operating Officer do PayPal.
Agentes de IA entram na conta
Para Sanjay Sakhrani, analista da Keefe Bruyette & Woods, ampliar os serviços financeiros pode dar ao cliente outros motivos para usar o PayPal fora do checkout. Lores põe o comércio por agentes de IA entre as prioridades e citou a parceria com o assistente Muse, da Meta: em setembro, o PayPal se uniu à Meta para compras pelo agente de IA Muse.
O CEO lembra que confiança e segurança foram a proposta original do PayPal no e-commerce. “Isso será ainda mais necessário no comércio agêntico, e o que estamos fazendo é traduzir essa proposta de valor para o novo mundo”, afirmou. PayPal e Google já tinham defendido que agente de IA que paga exige confiança.
O que observar
Para carteiras digitais e plataformas de pagamento, a questão é se crédito e cartões mantêm o ritmo de dois dígitos quando a oferta chegar a novos países, e como a expansão de empréstimos e BNPL vai aparecer nas perdas com crédito. Vale acompanhar ainda se o comércio por agentes de IA vai premiar quem junta meio de pagamento, crédito e garantias ao consumidor no mesmo lugar.