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Itaú: lucro recorrente sobe 6,2% em 1 ano; atraso vai a 2,0%

Lucro recorrente do 3º trimestre de 2026 subiu 1,7% sobre o 2º tri; ROE recuou a 23,6% e atraso acima de 90 dias foi a 2,0%, de 1,9% três meses antes.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Itaú Unibanco registrou R$ 12,617 bilhões em lucro recorrente de julho a setembro de 2026, 6,2% acima do terceiro trimestre de 2025 e 1,7% acima do segundo trimestre de 2026. O ROE recorrente recuou a 23,6% ante o 2º trimestre de 2026, e o atraso acima de 90 dias subiu a 2,0% em setembro de 2026, ante 1,9% um trimestre antes.

As altas de 6,2% e 1,7% saem da demonstração de resultado gerencial. Nos destaques da mesma apresentação, o lucro aparece com alta de 2,5% sobre o 2º trimestre de 2026 e de 6,7% sobre o 3º de 2025, porque o banco ajusta a base de comparação pela variação no resultado do varejo da Colômbia, vendido em julho de 2026. De janeiro a setembro, o lucro recorrente somou R$ 37,305 bilhões, 8,1% acima dos nove primeiros meses de 2025.

O Valor trata o número do trimestre como recorde; ele supera os R$ 12,4 bilhões do recorde de lucro do 2º trimestre de 2026. O ROE, retorno anualizado sobre o patrimônio, ficou 0,7 ponto abaixo dos 24,3% de abril a junho de 2026 e 0,3 ponto acima dos 23,3% de um ano antes. Entre os pares, o Santander Brasil informou lucro gerencial do 3º trimestre de 2026 28% menor em um ano.

Pela conta do próprio Itaú, o lucro ficou em linha com o consenso de 13 instituições, de R$ 12,584 bilhões, com diferença de 0,3%; o Valor cita projeção de analistas de R$ 12,506 bilhões e vê o resultado levemente acima dela. “A consistência dos nossos resultados reflete uma estratégia de longo prazo, sustentada pela disciplina na gestão, pela concessão responsável de crédito e pela qualidade da nossa carteira”, disse Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú.

Margem cresce mais que despesas e custo de crédito no trimestre

Linha 3T26 Ante 2T26 Ante 3T25
Margem financeira gerencial R$ 34,611 bi +3,4% +7,8%
Custo de crédito R$ 10,415 bi +2,7% +10,2%
Comissões e tarifas R$ 11,048 bi +0,2% −0,1%
Despesas não decorrentes de juros R$ 17,129 bi +2,4% +1,7%

Resultado gerencial recorrente do 3T26; variações sem o ajuste da Colômbia na base. Fonte: Itaú Unibanco

Consignado e imobiliário puxam a carteira de crédito

Ao fim de setembro de 2026, o saldo total de crédito somava R$ 1,544 trilhão. Descontado o câmbio, o avanço foi de 10,4% contra setembro de 2025 e de 1,8% contra junho de 2026; fora o varejo colombiano, 10,9% e 2,2%. A faixa projetada para 2026, de expansão de 5,5% a 9,5%, seguiu igual, e o Valor infere daí alguma desaceleração até dezembro.

O banco atribui o avanço a produtos com garantia, de custo menor para o cliente. No Brasil, o consignado somou R$ 84,2 bilhões em setembro (alta de 3,5% sobre junho de 2026), e o imobiliário, R$ 158,8 bilhões (4,4%). Empresas de micro a médio porte foram a R$ 320,4 bilhões (4,2%), com linhas de programas de governo. No cartão, com R$ 153,4 bilhões, a alta foi de 1,9% no trimestre; em veículos, houve queda de 3,6% em 12 meses.

Itaú Unibanco · carteira de crédito no Brasil

Consignado e crédito imobiliário crescem cerca do dobro do cartão em 12 meses

Variação do saldo entre setembro de 2025 e setembro de 2026, em %

Gráfico de barras com a variação do saldo das carteiras de crédito do Itaú Unibanco no Brasil entre setembro de 2025 e setembro de 2026: consignado, alta de 16,3%; crédito imobiliário, alta de 15,8%; micro, pequenas e médias empresas, alta de 15,1%; grandes empresas, alta de 9,5%; cartão de crédito, alta de 7,9%; crédito pessoal, alta de 1,0%.

Fonte: Itaú Unibanco, apresentação de resultados do 3T26 (04/11/2026). Arte: Let’s Money.

Atraso sobe nas empresas menores; custo sobre a carteira fica estável

Nas empresas brasileiras de micro a médio porte, o atraso acima de 90 dias foi a 2,1% em setembro de 2026, contra 2,0% em junho de 2026 e 1,7% em setembro de 2025. O banco liga a alta ao fim das carências de programas de governo. Na pessoa física no Brasil, a taxa repetiu os 3,7% de junho de 2026, acima dos 3,6% de setembro de 2025. A venda de carteiras no trimestre reduziu o indicador em 0,02 ponto na pessoa física e em 0,05 ponto nas empresas menores.

Em reais, o custo de crédito cresceu 2,7% sobre o 2º trimestre de 2026, como mostra a tabela; como proporção anualizada da carteira, ficou estável, também em 2,7%. A alíquota efetiva prevista para 2026 baixou de 29,5%-32,5% para 28,0%-29,0%, pela nova trajetória da TJLP.

O que observar

Vale acompanhar se o fim das carências dos programas de governo continua pressionando o atraso das empresas menores.

O outro teste é o da margem: carteiras com garantia custam menos ao cliente e tendem a render spread menor. Sem indicação para 2027 até aqui, resta saber se o volume compensa essa troca no próximo ano.

Fontes: Itaú Unibanco, resultado do 3T26 • Itaú Unibanco, apresentação do 3T26 • Itaú Unibanco, resultado do 2T26 • Itaú Unibanco, resultado do 3T25 • Valor

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