A Caju, que nasceu como cartão de benefícios flexíveis em 2020, opera hoje em três verticais: benefícios, software de RH e produtos financeiros. O dado que sustenta a estratégia: empresas que usam quatro ou mais produtos da plataforma registram churn zero, segundo o CEO Eduardo Del Giglio.
Ecossistema Caju: três verticais
Vertical
Produtos
Benefícios
Cartão multibenefício, premiações, gestão de benefícios, integrações (WellHub, Conexa, Optum)
Software de RH
Admissão, demissão, férias, ausências, gestão de documentos, assinaturas
Produtos financeiros
Reembolso, adiantamento, conta do colaborador (Pix), crédito (em desenvolvimento)
Quase 50 mil empresas e mais de 1 milhão de pessoas impactadas
De cartão de benefícios a plataforma de RH
A tese da Caju desde a fundação se apoiou em duas premissas: benefícios flexíveis funcionam como porta de entrada para o relacionamento com a empresa, e o multiproduto gera retenção superior. Em entrevista ao podcast Let’s Money em janeiro de 2026, Del Giglio detalhou que mais de um terço da base já usa dois ou mais produtos. “A gente quer ser o system of record e o system of workflow dessas empresas”, afirmou, descrevendo a visão de centralizar todos os dados do colaborador e automatizar fluxos como inclusão de dependentes em planos de saúde.
A empresa, que já captou mais de R$ 170 milhões desde 2019 com investidores como Valor Capital, K1 Investment Management e Canary, chegou a quase 700 funcionários. O crescimento acelerado trouxe desafios: a companhia dobrou o time em um único ano, passando de 250 para mais de 500 pessoas, um ritmo que Del Giglio classificou como algo que “a gente recomenda não repetir”. Para 2026, o compromisso é não lançar produtos novos e consolidar o que já existe.
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A lógica econômica do arranjo aberto
Diferente das operadoras tradicionais, a Caju opera em arranjo aberto com bandeira Visa, modelo que oferece melhor experiência ao usuário mas gera margens menores. A aposta sempre foi que, quando o governo regulasse as taxas do mercado, o melhor produto venceria. O Decreto 12.712/2025 confirmou essa leitura ao limitar a taxa de desconto a 3,6% e proibir o rebate, práticas que sustentavam o modelo dos incumbentes.
O desafio agora é execução. Flash e Swile disputam o mesmo território de benefícios flexíveis, enquanto ERPs e softwares de RH tradicionais competem nas verticais de gestão de pessoas. A Caju aposta que a integração entre benefícios, dados de colaborador e produtos financeiros cria uma proposta de valor que concorrentes de nicho não conseguem replicar. Del Giglio destacou que a empresa não olha para competidores para definir roadmap: “Ter um competidor lá ou cá não vai pautar o que eu quero fazer”.
O que observar
A correlação entre número de produtos e retenção é o indicador central dessa tese. Se o dado de churn zero para empresas com quatro ou mais produtos se mantiver conforme a base escala, a Caju terá um argumento poderoso para justificar investimentos em novas verticais. O teste vem em 2026, com a consolidação do software de RH e o início da operação de crédito para colaboradores.
Vale acompanhar também o impacto do novo decreto sobre a competitividade entre operadoras. Com o arranjo aberto se tornando obrigatório para players com mais de 500 mil vidas a partir de maio, fintechs de benefícios que já operam nesse modelo podem capturar empresas insatisfeitas com a transição forçada dos incumbentes.