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CSD BR vai espelhar registro de cotas do BTG em blockchain

Com tecnologia da Ripple, a depositária vai manter no XRP Ledger uma cópia para auditoria; o registro oficial das cotas segue nos sistemas da CSD BR.

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· 4 min

A CSD BR, infraestrutura de mercado autorizada a atuar como registradora, depositária central e sistema de liquidação de ativos financeiros, vai copiar numa blockchain pública o registro de quem detém cotas em fundos do BTG Pactual guardadas por ela. A tecnologia vem da Ripple, com quem a CSD BR firmou parceria: a cópia no XRP Ledger servirá para consulta e auditoria, e a versão que vale oficialmente fica onde já está.

Como funciona a primeira fase

Item Desenho
Ativo Cotas de fundos de investimento do BTG Pactual depositadas na CSD BR
Registro oficial Continua nos sistemas da CSD BR
Papel do XRP Ledger Camada complementar de consulta e auditoria
Padrão do token Multi-Purpose Token (MPT)
Acesso Permissionado: clientes corporativos e bancários no Brasil, sujeitos a KYC e prevenção à lavagem
Controles da CSD BR Autorização de participantes, congelamento de ativos e reversão (clawback) por ordem regulatória ou judicial
Etapas seguintes Emissão nativa e negociação entre participantes autorizados; CRI e CRA em estudo

Primeira fase da parceria, segundo o comunicado das empresas. Fonte: Finextra

Uma cópia para auditar, sem trocar o livro oficial

No desenho descrito pelas empresas, as cotas do BTG ganharão uma versão tokenizada no padrão Multi-Purpose Token (MPT), e participantes autorizados poderão checar em tempo quase real se os dois registros batem. O ambiente será permissionado: só terão acesso clientes corporativos e bancários no Brasil submetidos a procedimentos de identificação de clientes (KYC, na sigla em inglês) e de prevenção à lavagem de dinheiro.

A CSD BR seguirá no comando da emissão e da administração dos ativos, preservando a autorização de participantes, o congelamento de ativos e a reversão de transações quando houver ordem regulatória ou judicial. Segundo o comunicado, o modelo cabe na regulação em vigor e dispensa novas aprovações.

“Optamos por começar pelo espelhamento de registros porque é a forma mais segura e responsável de introduzir uma nova tecnologia em uma infraestrutura crítica de mercado”, afirmou Daniel Polano Spreafico, diretor de produtos e clientes da CSD BR. Ele acrescentou: “O objetivo é avaliar o desempenho da tecnologia em condições reais de operação e construir uma base sólida para os próximos desenvolvimentos”.

Do laboratório para a operação real

O comunicado sustenta que será a primeira vez que uma depositária central de ativos financeiros e valores mobiliários usará uma blockchain pública para espelhar registros de titularidade. A CSD BR declara mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados. “Ir além de pilotos e provas de conceito para uma infraestrutura de registro em operação real em um mercado de capitais nacional é um marco importante para o setor”, disse Silvio Pegado, diretor-geral da Ripple para a América Latina.

Do lado do banco, Luis Furtado, sócio do BTG Pactual responsável por infraestrutura de mercado, afirmou que “o espelhamento das cotas cria uma base concreta para futuras evoluções, preservando os processos atuais e o registro oficial dos ativos”.

A iniciativa chega enquanto a CSD BR figura entre os 23 membros externos do grupo de tokenização da CVM, que prepara testes de ativos em livro-razão distribuído.

No mercado privado, a parceria se junta a outras frentes, como a de B3 e Anbima, que avançam na tokenização sem esperar o Drex.

A rede da parceria não estreia no mercado brasileiro com esse projeto. Um FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios) com recebíveis do INSS e patrimônio de R$ 200 milhões já foi tokenizado no XRP Ledger pela VERT, e a própria Ripple investe em plataforma de fundos tokenizados no XRP.

O que observar

A expansão está condicionada à validação do espelhamento. Só depois disso as parceiras preveem avaliar emissão nativa e negociação entre participantes autorizados, com CRI e CRA entre os papéis em estudo. A passagem de cópia de conferência para registro de origem pode ser o degrau que mexe com responsabilidades legais, e vale acompanhar se ele vai exigir aval regulatório que a primeira fase dispensou.

Para gestoras e distribuidoras, a pergunta é prática: que ganho de reconciliação e auditoria aparece quando duas bases precisam bater em tempo quase real, e quem arca com o custo de manter as duas. Outras infraestruturas de mercado também podem usar esse teste para medir a distância entre piloto e produção.

Fontes: Valor Econômico • Finextra

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