Ir para o conteúdo
Publicidade

Agentes de IAIA · Agentes de IA

Só 10% das financeiras dizem coordenar IA em toda a empresa

Pesquisa da Capgemini em 14 mercados: 59% das financeiras testam ou usam IA multiagente em funções limitadas; 10% dizem orquestrá-la na empresa inteira.

por

· 4 min

shutterstock 2760889093
Shutterstock

Sistemas de IA multiagente já aparecem em bancos e seguradoras, mas a coordenação em toda a organização segue rara. Em levantamento da Capgemini com 1.100 executivos do setor financeiro em 14 mercados, 59% das empresas testam ou usam a tecnologia em funções limitadas, e 10% dizem orquestrá-la na companhia inteira.

Capgemini · IA multiagente no setor financeiro

Muitas empresas testam, poucas chegam à organização inteira

Percentual das empresas financeiras, em pesquisa com 1.100 executivos de 14 mercados, junho e julho de 2026

Pesquisa da Capgemini com 1.100 executivos de empresas financeiras em 14 mercados: 59% das empresas testam ou usam sistemas multiagente de IA em funções limitadas, 10% dizem orquestrar esses sistemas na empresa inteira e 5% estão no topo do índice de maturidade da consultoria.

Respostas dos executivos. O índice de maturidade é da consultoria. Fonte: Capgemini Research Institute (05/11/2026). Arte: Let’s Money.

O relatório anual da Capgemini sobre nuvem no setor financeiro saiu nesta quinta-feira (5), com questionário aplicado em junho e julho de 2026. A amostra reúne varejo bancário, gestão de patrimônio, pagamentos, banco corporativo e de investimento, seguro de bens e responsabilidade (P&C), seguro de vida e seguro saúde. O Brasil está entre os mercados ouvidos, e os percentuais são do conjunto global.

Pelo índice de maturidade da própria consultoria, que olha cinco dimensões, 5% das empresas ficam no topo. Nesse grupo, 51% coordenam agentes na companhia inteira, contra 8% do restante. Também embutem governança por aplicação automatizada ou policy-as-code em 94% dos casos, ante 43%, e 83% têm responsabilização por resultado institucionalizada ou otimizada, ante 25%.

Onde a IA multiagente deve entrar nos próximos 18 meses

No banco, a fila começa em atendimento e compliance; na seguradora, em sinistros e subscrição.

Bancos começam pelo atendimento; seguradoras, pelos sinistros

Bancos % Seguradoras %
Atendimento 55% Sinistros 65%
KYC e compliance 49% Subscrição 56%
Detecção de fraude 43% Atendimento 43%
Decisão de crédito e subscrição 35% Detecção e prevenção de fraude 36%
Relatórios regulatórios 26% Serviços de apólice 28%

Fluxos mais visados para execução multiagente nos próximos 18 meses. Fonte: Capgemini Research Institute

Na relação com o cliente, 76% dos executivos veem os agentes como peça-chave em até três anos. As jornadas mais citadas são serviços de conta (51%), originação de crédito e subscrição (50%) e recomendação de produtos (47%).

“O futuro está além dos agentes individuais, rumo a capacidades reutilizáveis que podem ser compostas, orquestradas e governadas em toda a empresa”, afirmou no relatório Rafael Cavalcanti, do Bradesco, integrante do comitê executivo que orientou o estudo.

Um trabalho anterior da consultoria, feito só no Brasil, mostrou que executivos veem valor da IA no Open Finance em recomendações.

Retorno e custo entram na conta

Hoje, 48% das empresas não conseguem comprovar de forma consistente o retorno das iniciativas com agentes, e 51% não têm critérios maduros (value gates) para seguir financiando a IA. Entre 2026 e 2028, a pesquisa projeta alta de 141% no número de executivos que usam resultado de negócio como principal critério de verba e queda de 42% entre os que priorizam eficiência operacional.

Quase 63% dos executivos testam ou já usam em escala o roteamento inteligente, que manda cada tarefa ao modelo mais adequado, e outros 27% planejam adotá-lo em 12 meses. O PicPay, que corta o custo por token de IA, descreveu prática parecida no Money20/20 USA: a empresa define qual modelo atende cada tarefa.

“Em apenas 12 meses, as instituições financeiras deixaram de experimentar agentes de IA individuais em tarefas isoladas e passaram a implantar sistemas multiagente que coordenam ações em linhas de negócio inteiras. Ainda assim, a adoção por si só não cria valor”, disse Ravi Khokhar, Global Head of Cloud for Financial Services da Capgemini.

A consultoria, que atua em IA, nuvem e dados, põe a nuvem no centro da tese. Para 52% das empresas, grandes provedores de nuvem (hyperscalers) são os parceiros preferidos; 13% preferem fornecedores especializados. Pesam na escolha certificações regulatórias, residência de dados e compliance (50%), segurança, identidade e gestão de acesso (47%) e auditabilidade e rastreabilidade em escala (39%).

A forma de contratar também muda: a combinação de desenvolver, comprar e fazer parcerias, adotada por 36% hoje, deve chegar a 69% em três anos. Na base tecnológica, 80% dos executivos priorizam reduzir a dívida técnica com ajuda de agentes.

O que observar

Os números vêm de respostas de executivos, e o índice é de uma consultoria com negócio no tema. Vale acompanhar se balanços de instituições financeiras passam a mostrar ganho atribuído a agentes.

Com agentes na originação de crédito e na subscrição, a pergunta é quem responde por cada decisão automatizada e como essa trilha chega aos reguladores.

Fontes: Capgemini Research Institute • Capgemini • Finextra

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasIA
Ver a editoria →

Mais artigos de IA →

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.