A WealthAi, que vende um sistema operacional de inteligência artificial para gestores de patrimônio e assessores de investimento, lançou na sexta-feira (2) um conjunto de agentes de IA que tocam de ponta a ponta a entrada de novos clientes, KYC incluído. Pessoas só entram no fluxo quando o caso pede revisão ou aprovação.
O que os agentes assumem no cadastro
Etapa
O que o agente faz
Coleta
Reúne dados e documentos do cliente e aponta o que falta
Papelada
Gera os formulários
Checagens
Inicia verificação de identidade, checagem de PEP e de sanções, KYC e verificação de conta
Pessoas
Revisão e aprovação humanas só quando necessárias
Registro
Dados seguem para a ficha do cliente e os sistemas internos da firma
Etapas descritas no comunicado da WealthAi. Fonte: Finextra
Do formulário à checagem de sanções
A WealthAi põe a diferença na coordenação. Pela descrição da empresa, outras ferramentas de IA resolvem pedaços soltos do cadastro, cada um no seu canto, enquanto os agentes dela orquestram a jornada inteira: o cliente, o assessor, as equipes de compliance e de operações e os vários sistemas pelos quais o pedido passa. O próprio comunicado classifica o onboarding como uma das etapas mais manuais e fragmentadas da gestão de patrimônio, com efeito ruim na experiência do cliente logo no início da relação.
O alcance vai além da pessoa física padrão. Os agentes atendem também trusts e estruturas de pessoa jurídica, onshore e offshore, e funcionam em várias jurisdições, pensando em clientes com interesses financeiros sob mais de um regime regulatório. O que é captado no cadastro alimenta a ficha permanente do cliente na plataforma e os sistemas internos que cada firma já usa, sem precisar ser redigitado.
A novidade é a mais recente de uma série de funções agênticas que a WealthAi colocou na plataforma em 2026, depois do WealthAi for Advisors e de uma solução de compliance.
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A aposta em coordenar o processo inteiro
Jason Nabi, CEO da WealthAi, descreve o ponto de partida sem rodeios. “O onboarding ainda é absurdamente manual na gestão de patrimônio. Assessores e gerentes de relacionamento podem passar horas correndo atrás de informações, alternando entre sistemas, preenchendo formulários e se coordenando com o compliance antes de um novo cliente estar pronto”, afirmou (em tradução livre).
Para ele, o valor dos agentes está em saber em que ponto cada cliente está e fazer o fluxo andar. “Essa é a diferença entre automatizar uma tarefa e automatizar o processo. Queremos que os agentes cuidem de boa parte da burocracia e da coordenação, chamando as pessoas onde o julgamento ou a aprovação delas é de fato necessário”, disse o executivo.
Quando um agente dispara sozinho a checagem de pessoa politicamente exposta e de sanções, a responsabilidade pelo resultado vira a questão central. Vale acompanhar como gestoras de patrimônio documentam quem decidiu cada etapa, quem define, na prática, o momento em que a revisão humana é obrigatória, e se essa trilha resiste ao olhar de quem fiscaliza a prevenção à lavagem de dinheiro.
Trusts e estruturas offshore estão entre os cadastros mais trabalhosos do setor, justamente o pedaço que a ferramenta promete cobrir. O teste será ver se assessores independentes e gestoras de médio porte aceitam delegar essa camada a provedores de software, e se a promessa de cadastro de ponta a ponta resiste a clientes com interesses espalhados por várias jurisdições.