As fintechs devem ultrapassar os bancos como principal provedor de pagamentos internacionais das pequenas e médias empresas, segundo o relatório Money in Motion, da Mastercard, feito com PMEs de 11 países. Na projeção, 48% delas terão uma fintech como provedor principal, ante 30% em 2025; nos bancos, a fatia cai de 42% para 28%.
Quem é o provedor principal das PMEs no exterior
Indicador
2025
Projeção
Fintech como provedor principal
30%
48%
Banco como provedor principal
42%
28%
Critérios de escolha
Confiança 35%, velocidade 34%, custo 28%, transparência 28%
Serviços extras mais pedidos
Rastreamento 43%, detecção de fraude 42%
Relatório Money in Motion, da Mastercard, com PMEs de 11 países. Fonte: Finextra
Uma troca de provedor em dois anos
A maior parte das PMEs que vendem ou compram fora do próprio país deve substituir quem hoje cuida dos seus envios internacionais dentro de dois anos, e o relatório aponta 2028 como o horizonte em que esse mercado pode ter outra cara. O texto publicado pela Finextra não informa o tamanho da amostra, quais são os 11 países nem o ano exato em que a fatia das fintechs chegaria a 48%.
O volume total de pagamentos internacionais entre empresas deve crescer 51%, de US$ 31,7 trilhões em 2024 para US$ 47,8 trilhões em 2032, pela conta citada no relatório.
Na hora de escolher, confiança (35%) e velocidade (34%) aparecem à frente, com custo e transparência logo atrás, empatados em 28%. Entre as empresas que mudaram de provedor há pouco tempo, dois em cada três apontam transações mais rápidas e liquidação mais confiável como o motivo. Depois da escolha, é a confiança que segura o cliente.
A fidelidade, porém, é dividida: mais de nove em cada dez PMEs ouvidas já trabalham com mais de um provedor. O que elas pedem além da transferência são rastreamento do pagamento (43%) e detecção de fraude (42%). Pelo relatório, essas empresas querem enxergar melhor o dinheiro em trânsito, controlar o risco e fechar a conciliação com menos trabalho.
“As PMEs estão repensando o que precisam dos pagamentos internacionais. Estão usando mais provedores, comparando opções com mais atenção e ficando mais dispostas a trocar”, disse Pratik Khowala, chefe global de soluções de transferência (global head, transfer solutions) da Mastercard, em tradução livre. Para ele, isso abre a bancos e fintechs a chance de “conquistar e manter esse negócio entregando a velocidade, a confiança e a transparência que as PMEs agora esperam”.
A projeção vem de uma rede de pagamentos que também vende estrutura de transferência a instituições financeiras, e o recorte divulgado não traz amostra, países nem margem de erro. Vale acompanhar se o relatório completo detalha esses pontos e se a migração aparece em números de volume e não só em intenção declarada.
Para os bancos de varejo e de atacado, o dado que merece atenção é o do uso de vários provedores ao mesmo tempo: o cliente não precisa sair de vez para reduzir a fatia que um banco tem dos seus envios. A pergunta é se rastreamento e detecção de fraude, os dois serviços mais pedidos, viram o terreno em que bancos tentam segurar as PMEs, ou se fintechs especializadas chegam antes com essas ferramentas embutidas.