Open Finance tem adesão 25% menor entre vítimas de fraude
Na pesquisa da binds.co, 27,8% de quem já sofreu fraude usa o Open Finance, ante 36,8% de quem nunca passou por isso; 22,8% das vítimas evitam dar dados.
Ter passado por uma fraude financeira pesa na decisão de aderir ao Open Finance. Um cruzamento feito pela binds.co, que monitora a experiência do cliente (CX) de marcas, aponta que 27,8% dos entrevistados que já foram vítimas usam o sistema, enquanto entre quem nunca sofreu fraude a fatia sobe para 36,8%. No grupo afetado, a adoção é cerca de 25% menor.
Na amostra inteira, 32,3% declaram já utilizar o Open Finance. O recorte sai da mesma pesquisa com 1.609 respondentes que a binds.co aplicou entre julho e agosto de 2026 e que já mostrou que 70,8% preferem tratar problema com banco no app ou WhatsApp.
binds.co · uso do Open Finance por histórico de fraude
Quem já sofreu fraude usa menos o Open Finance
Entrevistados que dizem usar o Open Finance, em % de cada grupo (base de 1.240 respondentes)
Metade da amostra (51,0%) diz já ter sido vítima de fraude financeira. Nesse grupo, 34,8% passaram a confiar menos em instituições financeiras depois do ocorrido, o equivalente a 13,7% de toda a amostra.
Leandro Cabral, CEO da binds.co, avalia que a marca da fraude no comportamento do cliente se estende por muito tempo. “A fraude tem um efeito que dura mais do que o prejuízo financeiro. Ela muda a forma como a pessoa se relaciona com tecnologia e inovação daí em diante, e poucas empresas conseguem medir esse arrasto ao longo da jornada”, afirma.
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Quase todas as vítimas mudaram de hábito
Entre as vítimas, 95,6% dizem ter alterado ao menos um hábito. Mais de uma em cada cinco pessoas desse grupo (22,8%) passou a evitar o compartilhamento de dados; outras 22,2% reforçaram a proteção com autenticação extra ou biometria e 15,8% mudaram de instituição financeira.
binds.co · o que muda depois de uma fraude
Mais de uma em cada cinco vítimas passou a evitar compartilhar dados
Mudanças de comportamento relatadas por quem já sofreu fraude, em % (base de 632 respondentes)
Das mudanças relatadas, evitar o compartilhamento de dados é a que mais pesa sobre o Open Finance, já que o sistema só funciona quando o cliente autoriza a troca de informações entre as instituições.
Confiança como condição para autorizar dados
Na leitura da binds.co, a adesão ao Open Finance depende do histórico de confiança entre cliente e instituição. Para quem já caiu num golpe, todo pedido de consentimento traz de volta a experiência ruim, e isso pede transparência sobre que dados circulam, para quem vão e por quanto tempo ficam compartilhados.
“Depois de uma fraude, o cliente não volta ao ponto de partida. Ele passa a avaliar cada permissão com mais critério, e isso aparece na adoção de qualquer serviço que dependa de dados. Reconquistar essa autorização exige mostrar, de forma clara, o que a instituição faz com a informação que recebe”, completa Cabral.
Como a pesquisa foi feita
Com 1.609 pessoas ouvidas de 14 de julho a 5 de agosto de 2026, o levantamento tem margem de erro próxima de 2,4 pontos percentuais, com 95% de confiança. Para comparar fraude e Open Finance, entram só os 1.240 participantes que deram as duas respostas, divididos entre 632 que já foram vítimas e 608 que nunca foram. A pergunta sobre ocorrência de fraude soma 1.248 respostas; a de mudança de hábito, 632. A binds.co opera uma plataforma que dispara milhões de pesquisas de satisfação, em 22 idiomas e para cinco continentes.
O que observar
O dado interessa a bancos, fintechs e demais participantes do Open Finance que dependem do consentimento do cliente para crescer. Com 22,8% das vítimas evitando compartilhar dados, vale acompanhar como as instituições passam a explicar o uso das informações na hora do pedido de autorização e se a distância entre os 27,8% de adesão das vítimas e os 36,8% de quem nunca sofreu fraude muda em levantamentos futuros.