Fundada em 2008 e quinta entre as marcas de moto mais emplacadas no Brasil, pelos dados da Fenabrave, a Avelloz passou a ter crédito próprio para quem compra seus modelos. A Avelloz Finance usa a esteira regulada da QI Tech e leva os contratos a um FIDC no qual a montadora tem cotas, o que põe no bolso dela a margem de juros que, pelo relato da empresa, antes ficava com bancos parceiros.
Quem faz o quê na Avelloz Finance
O contrato nasce no balcão. Lojistas e parceiros dos mais de 460 pontos credenciados da marca simulam, submetem a proposta e fecham o negócio num portal, com assinatura eletrônica e prova de vida por reconhecimento facial (liveness). A empresa diz que o crédito cai na conta em questão de minutos e apresenta o arranjo como pioneiro no país.
Quem faz o quê no financiamento da Avelloz
Participante
Papel
Avelloz
Vende a moto na própria rede, mantém o relacionamento com o comprador e é cotista do fundo que recebe os contratos
QI Tech
Originação, motor de crédito com aprovação automatizada, emissão da CCB, garantia, antifraude, onboarding digital e assinatura eletrônica; estrutura e administra o FIDC
FIDC
Recebe por cessão cada CCB emitida para financiar uma moto
Divisão de papéis descrita pela Avelloz. Fonte: Avelloz
Nos bastidores, a QI Tech faz análise, formalização e liquidação, emite cada CCB e a transfere ao fundo. Ela reúne duas licenças, a de SCD, concedida pelo BC, e a de CTVM, que a habilita a montar e gerir o FIDC. Assim, a Avelloz entra no crédito sem virar instituição financeira. A parceira teve a nota nacional elevada a AA pela Fitch.
“Sempre vendemos motos, mas até hoje dependíamos de parceiros para fechar o financiamento e isso, por vezes, significava perder o cliente no meio do caminho”, afirmou Jayme Siqueira, CEO da Avelloz. Para Pedro Mac Dowell, CEO e fundador da QI Tech, a fabricante é “uma empresa que conhece o cliente e a cadeia de vendas, mas não tem licença nem estrutura para operar crédito sozinha”. A meta é chegar a 500 motos vendidas por mês pelo canal, sem prazo informado.
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Um mercado de motos em ritmo de recorde
Pelos dados da Fenabrave, os emplacamentos de motos zero-quilômetro chegaram a 2.197.308 em 2025, o maior volume já registrado, 17,1% acima de 2024. De janeiro a junho de 2026 vieram 1.174.459, avanço de 14,1% na comparação anual, e a Fenabrave elevou a estimativa do ano inteiro para mais de 2,4 milhões.
Brasil · motos novas emplacadas
Depois do recorde de 2025, a Fenabrave projeta mais de 2,4 milhões de motos em 2026
Motocicletas novas emplacadas no país, em unidades; 2026 inclui o primeiro semestre e a projeção para o ano
A barra tracejada é projeção. Fonte: Fenabrave, dados citados pela Avelloz. Arte: Let’s Money.
Para a Fenabrave, citada pela Avelloz, a moto virou “o segundo veículo da família”, saída mais barata diante do crédito caro para carros e fonte de renda de entregadores. É o público que levou o BB a usar o histórico de ganhos do iFood para financiar moto.
Em 2026, a marca também anunciou o modelo AZ170 Bravo, contratou a produção de 40 mil unidades numa nova planta em Manaus e destinou R$ 8,3 milhões a peças de reposição e atendimento pós-venda, com a intenção declarada de crescer além do Nordeste.
O que observar
Não foi informada a classe de cotas que a fabricante detém no FIDC, e é esse detalhe que define quanto do risco de inadimplência fica com ela. Vale acompanhar como fabricantes sem licença dosam essa exposição quando deixam de terceirizar o crédito.
A outra pergunta é de concorrência: os grandes bancos ainda concentram o empréstimo direto para veículos, num mercado que financiou 684 mil veículos em agosto, 178 mil deles motos. Se financeiras de montadora apoiadas em infraestrutura de terceiros se espalharem entre marcas médias, plataformas de crédito como serviço podem ganhar clientela nova no varejo de veículos.