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CréditoCrédito · Avelloz

Avelloz Motos lança financiamento próprio com a QI Tech

Fabricante de motos usa a esteira regulada da QI Tech, fica com cotas do FIDC que recebe os contratos e quer vender 500 motos por mês pelo canal.

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· 4 min

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Foto: Reprodução

Fundada em 2008 e quinta entre as marcas de moto mais emplacadas no Brasil, pelos dados da Fenabrave, a Avelloz passou a ter crédito próprio para quem compra seus modelos. A Avelloz Finance usa a esteira regulada da QI Tech e leva os contratos a um FIDC no qual a montadora tem cotas, o que põe no bolso dela a margem de juros que, pelo relato da empresa, antes ficava com bancos parceiros.

Quem faz o quê na Avelloz Finance

O contrato nasce no balcão. Lojistas e parceiros dos mais de 460 pontos credenciados da marca simulam, submetem a proposta e fecham o negócio num portal, com assinatura eletrônica e prova de vida por reconhecimento facial (liveness). A empresa diz que o crédito cai na conta em questão de minutos e apresenta o arranjo como pioneiro no país.

Quem faz o quê no financiamento da Avelloz

Participante Papel
Avelloz Vende a moto na própria rede, mantém o relacionamento com o comprador e é cotista do fundo que recebe os contratos
QI Tech Originação, motor de crédito com aprovação automatizada, emissão da CCB, garantia, antifraude, onboarding digital e assinatura eletrônica; estrutura e administra o FIDC
FIDC Recebe por cessão cada CCB emitida para financiar uma moto

Divisão de papéis descrita pela Avelloz. Fonte: Avelloz

Nos bastidores, a QI Tech faz análise, formalização e liquidação, emite cada CCB e a transfere ao fundo. Ela reúne duas licenças, a de SCD, concedida pelo BC, e a de CTVM, que a habilita a montar e gerir o FIDC. Assim, a Avelloz entra no crédito sem virar instituição financeira. A parceira teve a nota nacional elevada a AA pela Fitch.

“Sempre vendemos motos, mas até hoje dependíamos de parceiros para fechar o financiamento e isso, por vezes, significava perder o cliente no meio do caminho”, afirmou Jayme Siqueira, CEO da Avelloz. Para Pedro Mac Dowell, CEO e fundador da QI Tech, a fabricante é “uma empresa que conhece o cliente e a cadeia de vendas, mas não tem licença nem estrutura para operar crédito sozinha”. A meta é chegar a 500 motos vendidas por mês pelo canal, sem prazo informado.

Um mercado de motos em ritmo de recorde

Pelos dados da Fenabrave, os emplacamentos de motos zero-quilômetro chegaram a 2.197.308 em 2025, o maior volume já registrado, 17,1% acima de 2024. De janeiro a junho de 2026 vieram 1.174.459, avanço de 14,1% na comparação anual, e a Fenabrave elevou a estimativa do ano inteiro para mais de 2,4 milhões.

Brasil · motos novas emplacadas

Depois do recorde de 2025, a Fenabrave projeta mais de 2,4 milhões de motos em 2026

Motocicletas novas emplacadas no país, em unidades; 2026 inclui o primeiro semestre e a projeção para o ano

Gráfico de barras com emplacamentos de motocicletas novas no Brasil. Em 2025 foram 2.197.308 unidades, recorde histórico e alta de 17,1% sobre 2024. No primeiro semestre de 2026 foram 1.174.459 unidades, crescimento de 14,1% sobre o mesmo período de 2025. Para o ano de 2026, a projeção revisada da Fenabrave é de mais de 2,4 milhões de motos emplacadas até dezembro. Dados da Fenabrave citados pela Avelloz.

A barra tracejada é projeção. Fonte: Fenabrave, dados citados pela Avelloz. Arte: Let’s Money.

Para a Fenabrave, citada pela Avelloz, a moto virou “o segundo veículo da família”, saída mais barata diante do crédito caro para carros e fonte de renda de entregadores. É o público que levou o BB a usar o histórico de ganhos do iFood para financiar moto.

Em 2026, a marca também anunciou o modelo AZ170 Bravo, contratou a produção de 40 mil unidades numa nova planta em Manaus e destinou R$ 8,3 milhões a peças de reposição e atendimento pós-venda, com a intenção declarada de crescer além do Nordeste.

O que observar

Não foi informada a classe de cotas que a fabricante detém no FIDC, e é esse detalhe que define quanto do risco de inadimplência fica com ela. Vale acompanhar como fabricantes sem licença dosam essa exposição quando deixam de terceirizar o crédito.

A outra pergunta é de concorrência: os grandes bancos ainda concentram o empréstimo direto para veículos, num mercado que financiou 684 mil veículos em agosto, 178 mil deles motos. Se financeiras de montadora apoiadas em infraestrutura de terceiros se espalharem entre marcas médias, plataformas de crédito como serviço podem ganhar clientela nova no varejo de veículos.

Fontes: Avelloz Motos • Fenabrave • Let’s Money: Com receita 123% maior em 2025, QI Tech sobe a AA na Fitch • Let’s Money: BB usa histórico de ganhos do iFood para financiar moto • Let’s Money: B3: 684 mil veículos financiados, melhor agosto em 15 anos

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