O BNY, banco americano especializado em custódia, está em conversas com a Payward, controladora da corretora de criptomoedas Kraken, sobre uma parceria que abrangeria ativos digitais e infraestrutura de mercado financeiro. A informação é de apuração do CoinDesk com duas pessoas a par do assunto. As negociações seguem abertas e podem terminar sem acordo.
Segundo as fontes do CoinDesk, o pacote em discussão pode envolver produtos cripto, custódia, gestão de patrimônio, negociação, pagamentos e infraestrutura. Tudo isso a Payward já vende por meio da Payward Services, seu braço B2B voltado a bancos, bolsas e gestoras. Procurados pelo veículo, BNY e Payward não comentaram, registrou a PYMNTS.
BNY e Payward: o que está na mesa
Item
Situação reportada
Estágio
Conversas em andamento, sem garantia de acordo
Áreas que podem entrar
Produtos cripto, custódia, gestão de patrimônio, negociação, pagamentos e infraestrutura
Modelo de comparação
Parte de infraestrutura do acordo da Payward com a Nasdaq, segundo uma das fontes
Posição das empresas
Não comentaram
Negociação relatada por fontes anônimas. Fonte: CoinDesk
O acordo com a Nasdaq como molde
Uma das fontes disse ao CoinDesk que trechos da proposta lembram a parte de infraestrutura do pacto recente entre Payward e Nasdaq. Em setembro, o Nasdaq Ventures se comprometeu a colocar US$ 100 milhões na empresa, numa conta que a avalia em US$ 21 bilhões. O mesmo entendimento prevê que os Nasdaq Equity Tokens, versões tokenizadas de ações, cheguem ao mercado no segundo trimestre de 2027, além da adoção pela Payward do sistema de vigilância de mercado da bolsa americana.
Dois lados que se aproximam da mesma infraestrutura
Antes chamado de Bank of New York Mellon, o BNY presta serviços de custódia, administração de ativos, compensação e gestão de patrimônio para clientes institucionais. O banco também desenvolve depósitos tokenizados pensados para liquidar operações entre instituições em blockchain quase em tempo real. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, segundo relato da PYMNTS em julho de 2026, o CEO Robin Vince resumiu a tese do banco: com pagamentos, liquidez, garantias, ativos digitais e mercado de títulos cada vez mais conectados, cresce a procura por uma infraestrutura mais rápida, previsível e resiliente.
Do outro lado, a Payward vem comprando ativos para deixar de ser só dona de uma corretora. Em abril de 2026, acertou a compra da Bitnomial, de derivativos cripto, por até US$ 550 milhões; depois veio a Reap, de pagamentos em stablecoin, num negócio de US$ 600 milhões. Antes, em 2025, havia pago cerca de US$ 1,5 bilhão pela NinjaTrader, plataforma de futuros para pessoa física. A abertura de capital, segundo o CoinDesk, ficou para o segundo trimestre de 2027, no mínimo.
A primeira pergunta é se a conversa vira contrato e em qual formato. Para bancos custodiantes, contratar a infraestrutura de uma plataforma cripto em vez de construir a própria tende a encurtar o caminho até produtos de custódia e negociação de ativos digitais, ao custo de depender de um fornecedor externo. Vale acompanhar como esse tipo de arranjo divide responsabilidades de custódia, conformidade e risco operacional entre as partes.
A segunda é o calendário de abertura de capital. Para plataformas cripto que adiaram a ida à bolsa, a dúvida é se acordos com bancos tradicionais passam a pesar como prova de receita fora do varejo. Até haver comunicado oficial de alguma das partes, a negociação segue no campo da apuração jornalística.