Ir para o conteúdo
Publicidade
Banner do BMP Fullbanking

GestorasIA · Banco Central

Bradesco Asset usa IA própria para ler o tom do BC e do Fed

Índice Hawk-Dove, já na Bloomberg, mede quão duro ou brando é cada comunicado do BC e do Fed; foi premiado pela Global Finance, segundo o InfoMoney.

por

· 3 min

A Bradesco Asset criou em casa um índice de inteligência artificial que mede quanto cada comunicado do Banco Central e do Federal Reserve pende para juros mais altos ou para estímulos, com a leitura pronta na Bloomberg. O modelo, batizado de Hawk-Dove, e uma ferramenta que lê escrituras de debêntures foram premiados pela revista Global Finance na categoria Melhor Inovação em Inteligência Artificial, segundo reportagem do InfoMoney.

“Quando sai um comunicado do Banco Central ou do Fed, nossa IA indica quanto o comunicado é ‘hawk’ ou ‘dove’”, disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, no programa Espresso Outliers, em entrevista à analista de fundos da XP Clara Sodré.

As duas IAs premiadas da Bradesco Asset

Aplicação O que lê O que entrega
Índice Hawk-Dove Comunicados do Banco Central e do Fed Grau de intensidade do tom, na Bloomberg, para estratégias quantitativas e alocação
IA de análise de crédito (com a Poli-USP) Escrituras de debêntures Apoio ao analista na leitura das condições de cada emissão

Aplicações descritas pela gestora. Fonte: InfoMoney

Como o índice Hawk-Dove gradua o tom do BC e do Fed

No jargão dos juros, hawk (falcão) é o banco central mais duro com a inflação, inclinado a subir a taxa; dove (pomba) é o mais brando, que tolera estímulos. Feita por pessoas, essa leitura costuma ser lenta, subjetiva e divide analistas.

O modelo da gestora faz isso sozinho e devolve uma intensidade, além do rótulo. Integrado à Bloomberg, o resultado pode alimentar um modelo quantitativo ou orientar a alocação. “Isso pode ajudar nas estratégias quantitativas ou na tomada de decisão”, afirmou Funchal.

A outra IA lê escrituras de debêntures

A segunda aplicação premiada foi desenvolvida junto com a Escola Politécnica (Poli) da USP e ataca um gargalo do analista de crédito: as escrituras de debêntures, contratos longos que fixam as regras de cada emissão de dívida de empresas. “A solução ajuda muito o analista a fazer análise de crédito naquelas grandes escrituras de debêntures, consegue fazer isso de forma muito mais produtiva e muito mais assertiva”, disse o CEO.

O InfoMoney liga a ferramenta à expansão do crédito privado no país, com bancos de fomento perdendo espaço para o mercado de capitais.

A aposta começou cedo. A área de inovação da gestora nasceu em 2022, e quem a comandava já apontava a inteligência artificial como o caminho. Para Funchal, o diferencial está no acervo interno: “A gente procura investir muito em dado e em soluções proprietárias para ter vantagem competitiva”, disse.

Bradesco Asset · porte da gestora

Os dados próprios da IA vêm de uma gestora com mais de R$ 1 trilhão

Patrimônio sob gestão, tempo de atuação e quadro de funcionários

Porte da Bradesco Asset segundo o InfoMoney: mais de 1 trilhão de reais sob gestão, 25 anos de atuação e mais de 300 funcionários. Fonte: InfoMoney.

Números da gestora citados na reportagem. Fonte: InfoMoney (10/10/2026). Arte: Let’s Money.

O acesso à IA dentro da casa passa por um comitê, que escolhe quais projetos têm peso estratégico e distribui a capacidade de desenvolvimento entre eles. “A gente tem um problema de oferta e demanda”, resumiu o executivo. O controle do gasto com a tecnologia ainda engatinha, mas ele prevê mudança: “Claramente, vai entrar muito mais forte na discussão orçamentária no ano que vem.”

No banco controlador, a IA tem outra frente: o Bradesco celebra os 10 anos da b.ia, sua assistente para clientes.

Na gestora do Itaú, a IA virou competição universitária: o desafio de IA da Itaú Asset passou de 3.600 inscritos em 2026.

O que observar

Se muitas gestoras passarem a ler os mesmos comunicados com modelos parecidos, a vantagem pode migrar da leitura em si para a velocidade de reação e para a combinação com outros sinais. Vale acompanhar se gestores quantitativos vão tratar o tom dos bancos centrais como variável de mercado.

No crédito, a pergunta é de responsabilidade: quando uma ferramenta resume cláusulas de uma escritura, quem responde por uma condição mal lida? A outra é custo. Com o gasto em IA entrando no orçamento, os filtros por impacto estratégico vão passar a pesar também retorno financeiro?

Fontes: InfoMoney • Let’s Money (b.ia) • Let’s Money (Itaú Asset)

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasIA
Ver a editoria →

Mais artigos de IA →

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.