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O Grupo Fictor pediu recuperação judicial neste domingo com dívidas de R$ 4 bilhões, e cerca de R$ 3 bilhões em investimentos de clientes podem estar em risco. A crise começou quando a empresa anunciou a compra do Banco Master em novembro de 2025, mas a instituição foi liquidada pelo Banco Central no dia seguinte.

O principal problema está nos investimentos feitos via SCPs (Sociedades em Conta de Participação), instrumento que a Fictor usava para captar recursos com promessas de retornos de até 1,8% ao mês. Diferente de aplicações bancárias tradicionais, esses investimentos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ou seja, se a empresa não honrar os pagamentos, os investidores não têm rede de segurança.

Corrida aos resgates

Segundo o NeoFeed, a Fictor havia captado cerca de R$ 3 bilhões até novembro de 2025. Após a associação com o caso Master, os pedidos de resgate atingiram 71% desse montante. A empresa vinha atrasando pagamentos desde dezembro, com investidores relatando promessas não cumpridas e prazos prorrogados unilateralmente.

A holding culpa a exposição negativa após o episódio Master pela crise de liquidez. No pedido de recuperação judicial, a Fictor alega que a reputação foi duramente atingida, levando parceiros e fornecedores a adotarem postura mais cautelosa, o que gerou um “efeito dominó” sobre seu fluxo de caixa.

Subsidiárias ficam de fora

A recuperação judicial afeta apenas a Fictor Holding e a Fictor Invest, responsável pelas SCPs. As subsidiárias operacionais, como a Fictor Alimentos (FICT3), não entraram no processo e devem seguir suas atividades normalmente, segundo a empresa.

A Fictor afirma que pretende pagar 100% das dívidas, sem deságio, e solicitou suspensão de execuções por 180 dias para negociar um plano de recuperação. O problema é que, em casos de recuperação judicial, não há garantia de que todos os credores receberão o valor integral investido, especialmente em estruturas como as SCPs, que não são reguladas pela CVM.

Gabriel Pereira

Fundador da Let's Money

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.