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Risco Climáticobanco central · Banco Central

BC vê inadimplência como principal canal do risco climático

Relatório do Banco Central aponta a inadimplência como principal canal de transmissão do risco climático ao sistema financeiro; a seca lidera.

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· 3 min

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central lançou a sexta edição do seu relatório anual sobre riscos sociais, ambientais e climáticos e cravou por onde o clima extremo chega ao sistema financeiro: o crédito. Segundo o documento, a inadimplência é a principal via pela qual secas e enchentes ameaçam a estabilidade das instituições financeiras no país.

O que o BC encontrou no crédito

Dimensão Achado do relatório
Principal canal de transmissão Risco de crédito, sobretudo inadimplência
Evento de maior relevância Seca
Fator relevante nos riscos da natureza Disponibilidade hídrica
Risco de enchentes Exposição média baixa, com concentração regional
Impacto esperado no longo prazo Percepção permanece baixa

Achados do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS), volume 6. Fonte: Banco Central

Onde o clima entra no balanço dos bancos

O volume 6 do relatório, com prefácio do presidente do BC, Gabriel Galípolo, apoia essa leitura numa pesquisa própria com o setor. Nas palavras do documento, “a Pesquisa de Estabilidade Financeira sobre Riscos Climáticos no SFN evidenciou que o risco de crédito, especialmente a inadimplência, segue como principal canal de transmissão dos riscos climáticos para a estabilidade financeira”. A seca aparece como o fenômeno de maior impacto potencial, ainda que a percepção de impacto no longo prazo continue baixa entre as instituições.

Outro trabalho, dedicado a como o setor financeiro se expõe aos riscos da natureza, colocou a água disponível no centro do problema, o que ajuda a explicar o peso da estiagem. Não por acaso, o regulador direcionou o Projeto Geotec para treinar equipes em sensoriamento remoto e geotecnologia aplicados à fiscalização do financiamento agrícola e do Proagro, o seguro da lavoura. O tema chega ao BC num momento em que a inadimplência já opera em níveis recordes em parte do mercado.

Por que a enchente vira risco regional

A parte mais concreta do diagnóstico veio de um exercício que combinou o mapa de onde está cada carteira com projeções de inundação. O achado tem duas camadas. Na média, os bancos do país estão pouco expostos a cheias. O problema mora na distribuição: o regulador identificou bolsões regionais de crédito em áreas muito vulneráveis, capazes de gerar perdas correlacionadas e abrir focos de risco sistêmico.

Em outras palavras, o dano potencial não está espalhado de forma uniforme, e sim concentrado em pontos que podem quebrar juntos. É a mesma lógica que apareceu quando enchentes forçaram bancos a montar apoio emergencial a clientes de regiões atingidas. O relatório reforça a avaliação de que o sistema financeiro segue resiliente, com riscos em observação.

O que observar

O ponto que merece acompanhamento é a granularidade. Se o canal dominante é a inadimplência e o risco está concentrado em bolsões geográficos, a pergunta que fica é como a supervisão vai tratar carteiras expostas a uma mesma bacia hidrográfica ou a um mesmo bioma. Instituições com forte presença no crédito rural e em regiões de estiagem recorrente tendem a ser as mais sensíveis a esse recorte.

Vale observar também se as geotecnologias saem do piloto de supervisão e viram exigência de dado climático nas próprias políticas de crédito das instituições. O teste prático será a próxima estação de secas e cheias: se as perdas correlacionadas que o estudo projeta começarem a aparecer nos números, o mapeamento regional deixa de ser exercício de modelagem e passa a pautar provisões.

Fontes: Banco Central do BrasilLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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