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Bradesco tem aval do BC e eleva capital social em R$ 10 bi

Homologação leva o capital social do banco de R$ 93,77 bi para R$ 103,77 bi; as novas ações têm crédito aos subscritores previsto para esta terça (13).

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· 4 min

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Bradesco recebeu do Banco Central a homologação da emissão de R$ 10 bilhões em novas ações, o que leva seu capital social a R$ 103,77 bilhões, ante R$ 93,77 bilhões antes da operação. O aval saiu em 8 de outubro, conforme fato relevante do próprio Bradesco, que marcou para esta terça-feira (13) a emissão e o crédito das novas ações aos subscritores.

Quando o conselho de administração aprovou a emissão, em 29 de julho de 2026, o banco calculou que a homologação integral acrescentaria cerca de 0,9 ponto percentual ao seu índice de Capital Principal, que estava em aproximadamente 12,7% no cálculo pro forma divulgado com o balanço do primeiro trimestre. A emissão acabou subscrita por inteiro, com 604.852.753 ações novas, contadas as sobras vendidas em leilão.

Bradesco · aumento de capital por etapa

Duas rodadas de subscrição e um leilão de sobras fecharam os R$ 10 bilhões

Valor levantado em cada fase da emissão de 604.852.753 novas ações

Etapas do aumento de capital do Bradesco, que emitiu 604.852.753 novas ações: a primeira etapa, com resultado divulgado em 16 de setembro, levantou 6,541 bilhões de reais; a segunda, concluída em 30 de setembro, levantou 3,179 bilhões de reais; e o leilão na B3 dos recibos das ações que sobraram somou 283,3 milhões de reais. Fonte: números do Bradesco citados pelo Valor.

Etapas do aumento de capital homologado pelo BC em 8 de outubro. Fonte: números do Bradesco citados pelo Valor (09/10/2026). Arte: Let’s Money.

Como os R$ 10 bilhões foram captados

Pelos números reunidos pelo Valor, a primeira etapa, com resultado conhecido em 16 de setembro, trouxe R$ 6,541 bilhões. Encerrada em 30 de setembro, a segunda acrescentou R$ 3,179 bilhões. Quantidades de papéis ordinários (ON) e preferenciais (PN) subscritas em cada fase, preços e valores por ação estão na tabela abaixo.

O que não foi subscrito nas duas fases foi leiloado na B3, e a venda dos recibos somou R$ 283,3 milhões. Lances acima do preço fixado para a emissão, que embutia deságio de 6% sobre o fechamento de 28 de julho de 2026, deixaram R$ 3,3 milhões de ágio, que irá para reserva de capital.

A operação por tipo de ação

Item Ordinárias (ON) Preferenciais (PN)
Subscritas na 1ª etapa 252.659.012 ações 149.812.765 ações
Subscritas na 2ª etapa 48.711.930 ações 137.610.535 ações
Sobras levadas a leilão 1.505.454 ações 14.553.057 ações
Preço de emissão R$ 15,43 R$ 17,64
Preço no leilão de sobras R$ 15,50 R$ 17,86
JCP bruto por ação R$ 0,323858718 R$ 0,356244590
JCP líquido por ação (IR de 17,5%) R$ 0,267183442 R$ 0,293901787
Ações após o aumento 5,61 bilhões 5,59 bilhões

Preços de emissão do fato relevante de julho; demais números do Valor. Fontes: Valor e Bradesco

As acionistas controladoras tinham assumido compromisso firme de subscrever até R$ 8 bilhões, mesmo valor fixado como piso para uma eventual homologação parcial. No fato relevante de julho de 2026, o banco afirmou que o aumento “possibilitará o reforço na sustentação do ritmo acelerado em investimentos estratégicos, mediante a ampliação de investimentos relevantes em tecnologia, eficiência comercial, expansão dos negócios”.

JCP recalculado por ação

Com mais papéis em circulação, mudou o valor unitário da distribuição intermediária de juros sobre capital próprio (JCP) aprovada pelos conselheiros no último dia de setembro, que soma R$ 3,8 bilhões. Os novos valores brutos e líquidos estão na tabela; o líquido desconta 17,5% de Imposto de Renda, salvo para pessoas jurídicas isentas. O montante e o prazo de pagamento, até o fim de abril de 2027, seguem iguais.

O JCP também serviu de moeda na subscrição. Em julho de 2026, o banco antecipou para 15 de setembro o pagamento de R$ 6,5 bilhões em JCP declarados no primeiro semestre, entre eles os R$ 3 bilhões aprovados em março de 2026, e permitiu que esse crédito fosse usado para integralizar as novas ações. Depois da emissão, o capital fica dividido num total de 11,2 bilhões de papéis.

O que observar

O 0,9 ponto no Capital Principal é estimativa do próprio banco, feita em julho de 2026, sobre a base pro forma do primeiro trimestre. O efeito medido só deve aparecer no balanço que incorporar a emissão, já misturado a lucros, proventos e crescimento do crédito no período.

A outra pergunta é de execução: a administração vinculou o dinheiro novo a tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios, e o teste será ver isso nos índices de eficiência dos próximos trimestres. Falta saber ainda quanto da subscrição coube aos controladores e quanto aos minoritários, dado que mediria a adesão a uma emissão com deságio e pagamento possível em JCP.

Fontes: Valor • Bradesco (fato relevante de outubro) • Bradesco (fato relevante de julho) • Let’s Money: Bradesco aprova R$ 3 bilhões em JCP para acionistas

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