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Crédito imobiliárioCrédito · Abecip

Crédito imobiliário da poupança cresce 46,6% em um ano

Bancos financiaram R$ 16,97 bi em imóveis com dinheiro da poupança em agosto, 46,6% acima de agosto de 2025; a caderneta teve R$ 9,5 bi em saques líquidos.

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Os bancos financiaram R$ 16,97 bilhões em imóveis com dinheiro da poupança em agosto, volume 46,6% maior que o de agosto de 2025, segundo o boletim mensal da Abecip, associação do setor de crédito imobiliário e poupança, divulgado nesta quarta-feira (30). No mesmo mês, a caderneta do SBPE perdeu R$ 9,5 bilhões em saques líquidos, pouco mais que o dobro da saída de um ano antes.

Crédito imobiliário e poupança em agosto de 2026

Indicador Agosto de 2026 Contra julho Contra agosto de 2025
Financiado com poupança (SBPE) R$ 16,97 bilhões -19% +46,6%
Imóveis financiados (SBPE) 46,8 mil -19,2% +27,5%
Financiado com recursos livres R$ 1,31 bilhão -1% -63,3%
Captação líquida da poupança SBPE -R$ 9,5 bilhões n/d -R$ 4,7 bilhões em agosto de 2025
Financiado com poupança, janeiro a agosto R$ 132,5 bilhões n/d +37,5% (mesmo período)
Financiado com poupança, 12 meses R$ 192,4 bilhões n/d +20,2% (12 meses anteriores)

Boletim Data Abecip de agosto de 2026. Fonte: Abecip

Abaixo de julho, bem acima de 2025

Na comparação mensal, o volume recuou 19%. Ainda assim, a série da entidade põe o resultado como o terceiro maior para agosto em 25 anos. Em contratos, foram 46,8 mil imóveis entre aquisição e construção, número 19,2% menor que o de julho e 27,5% maior que o de agosto de 2025.

Os acumulados mostram a tendência do ano. No acumulado de 2026 até agosto, o crédito com recursos do SBPE chegou a R$ 132,5 bilhões, 37,5% acima do mesmo intervalo de 2025. Na janela de 12 meses encerrada em agosto, o total foi de R$ 192,4 bilhões, avanço de 20,2% sobre o período anterior.

Para a Abecip, os números reforçam a retomada do setor em 2026 apesar do juro alto, da seletividade maior dos bancos e da dificuldade de captação na caderneta, segundo o Valor Econômico.

A caderneta segue encolhendo

O lado do funding andou na direção oposta. Os resgates da poupança SBPE passaram os depósitos em R$ 9,5 bi em agosto, contra saída líquida de R$ 4,7 bi no mesmo mês de 2025. O saldo das cadernetas fechou em R$ 757,2 bilhões, 0,62% abaixo de julho. Em 2026, o saldo entre depósitos e retiradas acumula R$ 47,0 bi negativos, levemente melhor que os R$ 48,3 bi negativos dos oito meses equivalentes de 2025.

O crédito imobiliário com recursos livres, fora do direcionamento do SBPE, também caiu: somou R$ 1,31 bilhão em agosto, 63,3% menos que um ano antes.

No conjunto do mercado, e não só no recorte da poupança, a alta já vinha do primeiro semestre, quando as concessões de crédito imobiliário cresceram 23% e somaram R$ 180,9 bilhões.

O pano de fundo é a troca de fonte de recursos. Pelas regras em transição, os bancos devem recorrer cada vez menos à caderneta e mais ao mercado de capitais para financiar imóveis. Em agosto, o Let’s Money mostrou que as instituições iam pedir ao BC mais um ano para o novo crédito imobiliário, que naquela data estava previsto para janeiro de 2027.

O que observar

A primeira pergunta é por quanto tempo o crédito lastreado na poupança sustenta alta de dois dígitos com a caderneta perdendo saldo. Se os saques líquidos continuarem acima dos de 2025 no segundo semestre, vale acompanhar se instituições cuja carteira de habitação depende dessa fonte antecipam emissões no mercado de capitais, antes mesmo da mudança de regras.

A segunda é a composição. Com os recursos livres muito abaixo de 2025, a expansão do ano segue concentrada no SBPE. Os próximos boletins vão mostrar se a definição do calendário do novo modelo pelo regulador altera essa divisão entre as fontes.

Fontes: Abecip • Valor Econômico • Let’s Money: primeiro semestre • Let’s Money: pedido de adiamento

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