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CEO da Neon mira lucro acima de R$ 1 bi e 50 mi de clientes

CEO da Neon diz ao Valor que mira lucro acima de R$ 1 bi por ano e 50 mi de clientes, sem data; a base caiu para 27 mi após a fusão dos apps.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Reprodução/Neon

Lucrar mais de R$ 1 bilhão por ano, com rentabilidade próxima de 25%, e quase dobrar a base de clientes, para perto de 50 milhões: são as ambições, ainda sem data, que o CEO da Neon, Fernando Miranda, descreveu em entrevista ao Valor. O plano parte de 27 milhões de usuários e de um resultado que já virou: o primeiro semestre de 2026 foi o primeiro no azul da história da fintech.

Neon · resultado líquido por semestre

Depois de dois semestres no vermelho, o primeiro lucro

Lucro ou prejuízo líquido consolidado, em R$ milhões

Gráfico de barras do resultado líquido consolidado da Neon por semestre: prejuízo de R$ 35 milhões no primeiro semestre de 2025, prejuízo de R$ 8,1 milhões no segundo semestre de 2025 e lucro de R$ 43,2 milhões no primeiro semestre de 2026.

Fonte: números da Neon citados pelo Valor (05/10/2026). Arte: Let’s Money.

Como a Neon virou o semestre

A comparação com 2025 mostra a virada. No primeiro semestre do ano passado, a fintech perdeu R$ 35 milhões; no segundo, o vermelho encolheu, ficando em R$ 8,1 milhões. Entre janeiro e junho de 2026, o lucro foi de R$ 43,2 milhões. Agora, a intermediação financeira rendeu R$ 525,4 milhões, 28,5% acima de um ano antes, e o estoque de empréstimos somou R$ 8,7 bilhões, com expansão de 23,6%.

O mix também mudou. O consignado privado, que ganhou tração com o programa Crédito do Trabalhador, avançou 18% na Neon, enquanto o cartão subiu 10%. Para Miranda, o portfólio migra aos poucos para linhas de risco mais baixo.

A postura dele sobre o consignado mudou ao longo do ano. Em abril de 2026, quando o Let’s Money mostrou que a Neon reduziu o prejuízo de 2025 em 88%, o executivo falava da linha com cautela. “O meu apetite hoje é bem maior do que eu tinha no passado”, disse Fernando Miranda, CEO da Neon, ao Valor.

No resto do crédito, a prudência segue. A empresa não abre a inadimplência de mais de 90 dias, e a PDD (provisão para devedores duvidosos) chegou a R$ 808,8 milhões, 12,6% a mais em um ano. Miranda espera um próximo ano mais difícil para a economia. “A gente está, digamos, se preparando para o inverno, mas torcendo por um momento mais positivo”, afirmou.

Neon · alta informada

A carteira de crédito cresceu quase o dobro da provisão para perdas

Variação informada pela Neon, em %

Gráfico de barras com a alta informada pela Neon: resultado de intermediação financeira 28,5%, carteira de crédito 23,6%, consignado privado 18%, provisões para devedores duvidosos 12,6% e cartão de crédito 10%.

Fonte: números da Neon citados pelo Valor (05/10/2026). Arte: Let’s Money.

Por que a base caiu de 32 milhões para 27 milhões

A meta de clientes exige quase dobrar a base, que encolheu: eram 32 milhões no fim de 2025 e hoje são 27 milhões. O Valor liga a queda a uma revisão das contas de microempreendedores individuais (MEIs). Segundo Miranda, a empresa mantinha dois aplicativos e juntou os dois em um só, e muitas contas do app de MEI saíram nessa mudança. “Muitos migraram, mas outros já tinham conta na Neon também. Foi mais uma questão de simplificação”, disse.

Neon · base de usuários

Para chegar à meta, a base precisa quase dobrar

Usuários, em milhões. A queda veio da fusão dos dois apps e da saída de contas de MEI

Gráfico de barras da base de usuários da Neon: 32 milhões no fim de 2025, 27 milhões hoje e ambição de cerca de 50 milhões, sem prazo definido, segundo o CEO Fernando Miranda.

Fonte: Fernando Miranda, CEO da Neon, ao Valor (05/10/2026). Arte: Let’s Money.

Hoje a fintech abre perto de 350 mil contas por mês, volume que, pelo cálculo de Miranda, poderia dobrar mantendo positivo o NPV (valor presente líquido) por cliente. Ele prefere esperar um cenário melhor para acelerar. Na Neon, cliente principal é quem movimenta a conta toda semana, perfil que o CEO considera muito mais rentável.

Fundada em 2016 e unicórnio desde 2022, com aporte do BBVA, a Neon diz gerar capital suficiente para crescer sem nova rodada. Uma oferta inicial de ações fica fora do plano, sem ser descartada: “Se o mercado melhorar, por que não?”, disse o CEO.

O que observar

A meta de clientes convive com uma base menor e com um freio declarado na aquisição. A pergunta é quanto do caminho depende de reacelerar a abertura de contas e quanto depende de transformar usuários esporádicos em clientes de uso semanal, o critério de principalidade que a empresa adota.

O outro ponto é o crédito. Se o consignado privado seguir crescendo acima do cartão, vale acompanhar se a provisão continua subindo mais devagar que a carteira (12,6% contra 23,6% nos números mais recentes), num ano que o próprio CEO espera mais duro. Esse indicador tende a mostrar se a troca por linhas de menor risco sustenta a ambição de rentabilidade próxima de 25%.

Fontes: Valor • Let’s Money (abril de 2026) • Let’s Money (Crédito do Trabalhador)

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