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Plataforma cripto Luno compra a queniana GTXN, de pagamentos

Plataforma cripto ganha trilhos licenciados para pagar e receber entre mercados ricos e emergentes; Dan Kleinbaum, ex-Beyonic, comanda a GTXN.

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· 3 min

A Luno, plataforma regulada de ativos digitais com atuação em vários mercados emergentes, comprou a GTXN, empresa de pagamentos internacionais do Quênia que também atua como gestora de fundos. Com a operação, anunciada em 22 de setembro, o grupo cripto passa a ter trilhos licenciados próprios para receber e enviar dinheiro de clientes corporativos entre países.

O que a Luno comprou

Item Detalhe
Compradora Luno, plataforma regulada de ativos digitais em mercados emergentes
Empresa comprada GTXN, de pagamentos internacionais e gestão de fundos, no Quênia
Papel no grupo Braço de pagamentos internacionais
Oferta a empresas Coleta e pagamento entre mercados desenvolvidos e emergentes, em fluxo único de liquidação
Comando da GTXN Dan Kleinbaum
Valor Não informado no comunicado

Comunicado da Luno sobre a compra. Fonte: Finextra

Um só provedor do começo ao fim

O desenho descrito pela Luno junta três peças que costumam ficar com empresas diferentes: a licença local, a infraestrutura de coleta e pagamento e a liquidez. A GTXN entra com as duas primeiras nos corredores que ligam economias ricas a emergentes. A Luno, que diz ter aprovações regulatórias nas suas regiões principais e liquidez profunda, cuida da terceira. Na prática, o cliente corporativo movimenta recursos por um único fornecedor, em trilhos que agora pertencem ao grupo, com a liquidação feita contra a liquidez da própria Luno.

O comunicado não informa quanto a transação custou. Também não detalha quais corredores a GTXN cobre hoje nem quantos clientes atende.

“Movimentar dinheiro entre mercados desenvolvidos e emergentes ainda é lento e caro demais, e nossos clientes sentem isso todos os dias”, disse James Lanigan, chief executive officer (CEO) da Luno. Segundo ele, a empresa passou anos conquistando licenças e confiança nessas rotas. “Os clientes passam a ter um único provedor para todo o fluxo, que é o que eles vinham nos pedindo”, afirmou, em tradução livre.

Quem assume a GTXN

O comando da GTXN fica com Dan Kleinbaum, que soma mais de uma década montando infraestrutura de pagamentos em países emergentes. Ele foi um dos fundadores da Beyonic, plataforma de dinheiro pelo celular presente em sete mercados africanos e vendida em 2020 para a Onafriq, antiga MFS Africa. Depois disso, criou na África Oriental um negócio de câmbio e tesouraria internacional para empresas e instituições.

Kleinbaum aponta a base da compradora como o que o atraiu. “Pouquíssimas empresas têm a liquidez e a posição regulatória para operar liquidação internacional em escala real nessas regiões”, afirmou o executivo.

O movimento lembra outra aquisição recente no setor: a Circle, emissora do USDC, acertou a compra da fintech Tazapay, de pagamentos transfronteiriços em Singapura, operação ainda pendente de fechamento. Nos dois casos, uma empresa nascida em cripto incorpora uma operação licenciada de pagamentos entre países.

O que observar

O próprio comunicado resume os obstáculos desses corredores: bancos correspondentes demoram, cada licença precisa ser obtida país a país e a infraestrutura local costuma ser escassa. Vale acompanhar se plataformas cripto com licença e caixa conseguem baixar custo e prazo onde intermediários tradicionais não conseguiram, e em quanto tempo isso aparece em volume de clientes corporativos.

Outra pergunta é de mercado. Levantamento do BIS já mostrou os pagamentos sem dinheiro disparando nos mercados emergentes. Com esse pano de fundo, fica a dúvida se outras empresas de ativos digitais vão preferir comprar licenças de pagamento já prontas a construí-las do zero.

Fontes: FinextraBitKELet’s MoneyLet’s Money

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