A Mastercard lançou a Advanced B2B Analytics, plataforma com inteligência artificial que cruza dados de contas a pagar de empresas para estimar quais fornecedores têm maior chance de aceitar cartão corporativo. A ferramenta é voltada a bancos emissores e às empresas clientes deles, que podem concentrar a abordagem nos fornecedores com nota mais alta em vez de contatar a base inteira.
Como a plataforma da Mastercard funciona
| Etapa |
O que acontece |
| Insumo |
Dados de contas a pagar da empresa compradora |
| Processamento |
Pontuação de propensão de aceite, calculada com IA |
| Resultado |
Fornecedores com maior probabilidade de aceitar cartão corporativo |
| Público |
Bancos emissores e empresas compradoras |
| Oportunidade B2B estimada pela Mastercard |
Cerca de US$ 80 trilhões |
Descrição da plataforma divulgada pela Mastercard. Fonte: Finextra
Por que o fornecedor virou o gargalo do cartão B2B
Pela descrição da Mastercard, o crescimento dos programas de cartão entre empresas esbarra menos no interesse de quem compra e mais em descobrir, numa cadeia de suprimentos pulverizada, quais vendedores já estão preparados para receber por esse meio. Esse mapeamento costuma depender de campanhas genéricas de contato com toda a base. A proposta da bandeira é trocar a abordagem em massa por uma lista priorizada, montada a partir de uma nota de propensão de aceite que, segundo a companhia, fica pronta em minutos.
O comunicado da empresa, entregue à PYMNTS nesta segunda-feira (28), acrescenta que quase metade dos fornecedores espera receber mais pedidos de pagamento com cartão nos próximos anos. O dado não vem acompanhado de pesquisa ou amostra identificada. “As empresas hoje estão sentadas sobre uma enorme quantidade de dados de pagamento, mas com muita frequência eles continuam fragmentados e subutilizados”, disse Marc Pettican, da Mastercard.
O que ganham bancos emissores e empresas compradoras
A ferramenta tem dois públicos. Para os bancos que emitem cartões corporativos, a promessa é estreitar o vínculo com clientes empresariais que já estão na carteira, com uma estratégia de pagamento guiada por dados. Para as empresas compradoras, a ideia é deslocar gastos para fornecedores que já se mostram inclinados ao pagamento digital, o que, pela conta da Mastercard, ajuda a gerir o capital de giro e a ampliar os rebates (devoluções) atrelados ao cartão. O comunicado também prevê a combinação da plataforma com a consultoria do time Mastercard Advisors & Transformation.
A Mastercard dimensiona em cerca de US$ 80 trilhões a oportunidade endereçável dos pagamentos entre empresas, estimativa própria que usa para apresentar a plataforma às instituições financeiras.
A disputa pelo pagamento corporativo envolve as duas grandes bandeiras. Há poucos dias, a Visa divulgou o volume da sua operação de pagamentos entre empresas.
A própria Mastercard já vinha tratando a relação com fornecedores como frente de produto: em julho de 2026, a bandeira e a Sunrate definiram em white paper como agentes de IA devem pagar fornecedores em operações entre países.
O que observar
A pergunta central é quanto da pontuação de propensão vira aceite de fato. Identificar o fornecedor mais inclinado ao cartão é um passo; convencê-lo a receber por esse meio, com o custo de aceitação envolvido, é outro. Vale acompanhar se bancos emissores de cartão corporativo passam a usar esse tipo de análise como argumento para disputar a conta de pagamentos das empresas, e se plataformas de contas a pagar e outras bandeiras respondem com ferramentas parecidas.
Outro teste é a transparência dos números. A estimativa de que quase metade dos fornecedores espera mais pedidos de cartão aparece no comunicado sem metodologia divulgada, e o mesmo vale para a oportunidade de US$ 80 trilhões. São dados de quem vende a solução, e a confirmação independente deve vir, se vier, quando os bancos que adotarem a ferramenta começarem a reportar resultados com ela.
Fontes: Finextra • PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money